Morreu ontem em Paris aos 85 anos o escritor Alain Robbe-Grillet, o grande nome do ''nouveau roman'', movimento literário que marcou a França nos anos 50 e 60. O autor estava internado no Centro Hospitalar Universitário de Caen, onde foi internado durante o fim de semana por causa de um problema cardíaco, informou a direção do Institut Mémoires de L'Édition Contemporaine (Imec).
Também ensaísta e cineasta, Robbe-Grillet é autor do roteiro de ''O Ano Passado em Marienbad'', clássico de Alain Resnais que antecipou em 1961 à ousadia formal que Jean-Luc Godard e outros nomes da nouvelle vague seguiriam nos anos seguintes. Robbe-Grillet também se antecipou às experiências formais da escritora Marguerite Duras com cinema.
Robbe-Grillet escreveu em 1963 ''Pour un Nouveau Roman'' (por um novo romance), defendendo as linhas gerais de um movimento que também era representado por Claude Simon, Nathalie Sarraute e Michel Butor.
A corrente representava uma ruptura com a estrutura romanesca predominante, recusava a linearidade narrativa e a ordem cronológica, fórmulas que os escritores consideravam visar o grande público. O movimento privilegiava a descrição e também ficou conhecido como a ''escola do olhar''.
O escritor foi eleito em 2005 para a Academia Francesa de Literatura. Também era autor de ''Os Últimos Dias de Corinto'' (Ed. Sulina), ''A Retomada'' (Record) e ''Por que Amo Barthes'' (Ed. UFRJ) e deixa dezenas de obras. ''A Retomada'', lançado em 2001, marcou a volta do autor aos romances depois de longa ausência e é uma história de espionagem ambientada no pós-guerra em Berlim.
Robbe-Grillet tinha presença confirmada neste ano no seminário Fronteiras do Pensamento, que acontece em Porto Alegre (RS).

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