PERDA - Morre o pai da videoarte
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terça-feira, 31 de janeiro de 2006
Folhapress 
Considerado o pai da videoarte, o coreano Nam June Paik morreu ontem, aos 74 anos, de causas naturais, em seu apartamento em Miami, nos Estados Unidos. Membro do movimento artístico Fluxus, Paik combinava o uso de música, vídeo e esculturas. O artista participou quatro vezes da Bienal de São Paulo: a primeira delas na 13 edição, em 1975, com a obra ''Jardim de TV''.
No Videobrasil 11, em 1996, quando foi homenageado, sua instalação ''TV Buddha'' virou ''TV Preto Velho'': Paik trocou o Buda que via TV no original por um preto velho.
O trabalho de Paik ganhou reconhecimento internacional através de exposições no Museu Guggenheim de Nova York e no Museum of Broadcast Communications de Chicago, entre outros. Boa parte de sua obra está à mostra no Museu Nam June Paik de Kyonggi, na Coréia do Sul.
A estréia artística de Paik aconteceu em 1963, na cidade alemã de Wiesbaden, com uma mostra individual intitulada ''Exposition of Music-Electronic Television'' (exposição de música, televisão eletrônica), na qual ele recorreu a 12 aparelhos de TV e os usou para criar diferentes efeitos com as imagens recebidas.
Exposições posteriores incluíram ímãs, com que ele manipulava ou alterava as imagens em televisores para criar padrões de luz. Paik se mudou para Nova York em 1964 e começou a trabalhar com a violoncelista Charlotte Moorman, combinando vídeo e performances. Numa delas, intitulada ''TV Bra for Living Sculpture'', Moorman usou uma pilha de televisores com a forma de um violoncelo. Quando a violoncelista os tocava com o arco, os aparelhos exibiam imagens dela se apresentando e colagens com registros de outros músicos.
Paik incorporou também aparelhos de TV a uma série de robôs. Os primeiros foram feitos com pedaços de fios e metal. Depois, com rádios e televisores velhos.
A partir de 1998, Paik começou a usar laser em suas obras, como o fez numa retrospectiva no Guggenheim, em 2000. Ele justificava o uso do laser vinculando-o a problemas de saúde decorrentes do derrame que o deixou parcialmente paralisado em 1996: ''Tornei-me de certa forma religioso, preciso de algo que me libere da miséria cotidiana.''
O velório e enterro de Paik acontecem ainda esta semana em Nova York.


