PERDA - Morre, aos 90 anos, cineasta italiano Luigi Comencini
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sexta-feira, 06 de abril de 2007
Luiz Carlos Merten<br> Agência Estado 
São Paulo - Ele foi, com Dino Risi e Mario Monicelli, um dos reis da comédia à italiana. Talvez tenha sido o pai. Luigi Comencini, que nasceu em Sal, em 1916, estreou, em pleno neo-realismo, com o drama ''Proibito Rubare'', tratando da infância carente, na Itália que sofria as consequências da derrota na 2 Guerra. No fim dos anos 40, descobriu a comédia e nunca mais parou de fazer rir.
Os críticos dizem que, com a série ''Pão, Amor e...'', Comencini criou o neo-realismo róseo. Muitos o condenaram por isso, por haver traído os princípios do movimento que havia irrompido no cinema italiano, após a guerra. Mas a grande comédia italiana nunca foi alienada nem alienante. Comencini, Monicelli e Risi fizeram tragicomédias encravadas na realidade social e política da Itália. Abriram uma trilha que prosseguiu com Ettore Scola. Comencini morreu ontem, em Roma, prestes a completar 91 anos.
Suas duas filhas, Francesca e Cristina, tornaram-se cineastas. Francesca veio ao Brasil filmar o Fórum Mundial Social em Porto Alegre. Seduzida pelo slogan ''Un Alto Mondo è Possibile'', ela se uniu ao movimento antiglobalização com um filme que se tornou um verdadeiro manifesto da consciência crítica nesta era consumista - ''Carlo Giuliani, Ragazzo'', em homenagem ao jovem de Turim que morreu protestando contra a reunião do G-7.
Como Francesca e Cristina nunca se cansaram de dizer, foi com o pai que tiveram suas primeiras lições de cidadania e humanidade. Francesca diz uma coisa linda de Luigi: ''É como se minha irmã Cristina e eu tivéssemos dividido sua herança de temas e linguagens. Papai amava os personagens frágeis, os excluídos da sociedade, era muito sensível aos problemas da infância e ninguém é mais frágil que uma criança. E ele seguia esses personagens com grande comoção e participação, porque seu coração estava sempre do lado do anti-herói.''


