A atriz Míriam Pires morreu ontem de manhã, de toxoplasmose, depois de passar um mês e meio internada no Centro Médico Bambina, no Rio. Ela tinha 77 anos e, por causa da doença, deixou a novela ''Senhora do Destino'', em que vivia a governanta Clementina, melhor amiga da protagonista, Maria do Carmo, personagem de Susana Vieira. O autor da novela, Agnaldo Silva, que escreveu para ela este e outros personagens marcantes, como dona Quirina, de ''Pedra sobre Pedra'', lamentou sua morte. ''Ela foi um ícone da televisão brasileira'', disse. ''Mesmo sem ter sido protagonista, soube tirar proveito de todos os seus personagens. A tevê brasileira tem um pouco o rosto de Míriam Pires.''
Míriam era carioca e começou sua carreira nos anos 40, no teatro, com Paschoal Carlos Magno. Logo que surgiu a televisão, ela aderiu ao veículo e somou em seu currículo 40 novelas, entre elas sucessos como a primeira versão de ''Irmãos Coragem'' (interpretou Dalva). No cinema, fez 12 longas, entre eles ''Chuvas de Verão'', de Cacá Diegues, em 1978, em que vivia cenas de amor com Jofre Soares. Ao saber de sua morte, o diretor lamentou. ''Fiquei triste. Devo o filme a ela e ao Jofre Soares, pela coragem que tiveram de fazer uma cena de nudez. Várias estrelas haviam recusado o papel, mas ela aceitou e entregou-se totalmente'', disse Diegues. ''Gostei tanto dela que, quando fiz 'Um Trem para as Estrelas', ela trabalhou comigo de novo, como a mãe da Eurídice.''
Além desses, Míriam Pires fez também ''Aleluia Gretchen'' (1976), de Sílvio Bach, que lhe rendeu seus principais prêmios; ''O Beijo da Mulher Aranha'', de Hector Babenco, como a mãe do prisioneiro Molina; e ''Copacabana'', de Carla Camurati, que tratava de pessoas da terceira idade que vivem no bairro carioca. Seu último trabalho no teatro foi a peça ''Quarta-Feira, sem Falta, lá em Casa'', em que contracenava com Beatriz Segall, que estreou em São Paulo e foi apresentada também no Rio.
Hoje de manhã, a produção de ''Senhora do Destino'' pretendia prestar-lhe uma homenagem. Na trama, ela era uma quituteira de mão cheia e havia planos de publicar um livro com suas receitas. ''Infelizmente, não tivemos tempo de fazê-lo'', disse uma produtora da novela. A atriz Cristina Mullis a substitui, desde julho, quando ela precisou internar-se por causa da toxoplasmose.
Segundo seu médico, Márcio Nucci, ela sofria de linfoma há seis anos e, devido à medicação, teve redução de imunidade, o que causou a toxoplasmose. ''O vírus se alojou no cérebro e ela sofreu as consequências de uma pessoa da sua idade passar tanto tempo num Centro de Tratamento Intensivo'', informou. O velório estava marcado para o cemitério São João Batista, no Rio, e, até o fim da tarde, o horário do enterro não estava definido.

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