PERDA - Arrelia morre aos 99 anos
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segunda-feira, 23 de maio de 2005
Folhapress 
''Como vai, como vai, como vai? Tudo bem, tudo bem, tudo bem!'' Dono do cumprimento-bordão que desatou o riso de gerações de crianças brasileiras, Waldemar Seyssel, o palhaço Arrelia, morreu ontem, no Rio, aos 99 anos. Internado desde a última sexta-feira numa clínica no bairro de Botafogo (zona sul), Arrelia faleceu às 5h vítima de um grave quadro de pneumonia. O palhaço - que dos anos 50 ao início dos 70 apresentou o programa ''Circo do Arrelia'', primeiro na TV Paulista e depois na Record - já havia estado internado na mesma clínica durante quase todo o mês de março, em razão de infecção na vesícula.
Arrelia morava no Recreio dos Bandeirantes (zona oeste) havia oito anos, quando se mudou de São Paulo para o Rio. Vivia com a segunda mulher, Arlete, e a enteada Haydée. Do primeiro casamento, deixou dois filhos, além de mais um do segundo casamento. Tinha também 10 netos, 11 bisnetos e um tataraneto.
Como a maior parte da família mora em São Paulo, o corpo de Arrelia será enterrado na capital paulista. O enterro deve ser realizado hoje no jazigo da família no cemitério da Paz, no Morumbi. Até as 13h de hoje, seus parentes não tinha acertado o horário do sepultamento.
Waldemar Seyssel, o Arrelia, nasceu em Jaguariaiva (PR) em 31 de dezembro de 1905. Sua família já tinha uma tradição circense, cuja origem é o Condado de Seyssel, na região de Grenoble, França.
Ele começou a trabalhar como palhaço aos 17 anos, em 1922, no bairro do Cambuci, no centro paulistano. Mas só cinco anos depois, na cidade de Uberaba (Triângulo Mineiro), o apelido infantil de Arrelia foi adotado como o nome oficial do palhaço.
O batismo ocorreu após uma cena improvisada, quando, praticamente à força, Waldemar teve que substituir um palhaço do circo. Ele não queria entrar no picadeiro, mas seus irmãos o pintaram, vestiram e o empurraram para diante da platéia. Aos tropeções, Waldemar caiu de mal jeito. Levantou mancando e fazendo caretas. O público gargalhava e aplaudia, pois acreditava que o palhaço fazia graça. Nunca mais ele deixou de ser o palhaço Arrelia.


