PERDA - Aldemir, Arte classe A
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terça-feira, 07 de fevereiro de 2006
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O artista plástico cearense Aldemir Martins, que morreu na noite do último domingo em São Paulo, tinha ligações próximas com Londrina. Visitou seis vezes a cidade, ora para rever amigos ora para inaugurar exposições. Uma de suas obras está atualmente em exposição no Museu de Arte de Londrina. É a tela ''Vaso de Flores'', que doou para a reabertura da instituição, em 1998.
Um outro trabalho de sua autoria uma gravura integra a reserva técnica do acervo do Museu, cuja biblioteca oferece ainda alguns folhetos e um livro sobre sua obra e trajetória. ''Ele trabalhou muito com bico de pena, com desenhos a nanquin, que propiciam traços fortes e nítidos. Nos últimos anos, pintou bichos e a vegetação usando pintura em acrílico. Abordou motivos nordestinos, como o cangaço e as mulheres rendeiras, mas sem deixar de lado a temática universal'' salienta Fernando Martinez, gerente de patrimônio artístico e cultural do Museu de Arte.
Telas de Aldemir Martins embelezam também paredes de casas e escritórios de muitos colecionadores na cidade. É o que revela Ana Maria Barreto, marchand e proprietária da Galeria Bahiarte, que comercializa obras do artista desde a década de 70. ''A morte dele é uma grande perda para a cultura brasileira'' diz. ''Fui sua amiga pessoal e participei de alguns momentos de sua carreira, como no ano passado quando ele foi homenageado com uma bonita retrospectiva no Masp (Museu de Arte de São Paulo) pelas sete décadas de dedicação à arte. Ele queria que sua obra fosse conhecida pelo povão, e acho que conseguiu realizar seu desejo''.
Informado pela reportagem da morte do artista, o gravador Paulo Menten surpreendeu-se com a notícia, lembrando episódios pitorescos protagonizados por Martins. ''Era um sujeito bacana e muito brincalhão. Foi uma figura importante na implantação do movimento modernista em São Paulo. Lembro que na abertura da 1 Bienal de Arte, realizada em 1951, ele ficou o tempo todo atrás dos comissários da representação suiça do evento. Estes, assustados, comentaram: 'tem um índio atrás de nós'. O Aldemir era um gozador. Ele estava apenas curtindo a montagem da Bienal''.
Menten conheceu Martins em 1949 durante um curso de desenho livre na capital paulista. Depois passaram a se encontrar em aberturas de exposições. O artista radicado em Londrina chegou a imprimir uma gravura para o cearense. ''Os desenhos dos anos 50 e 60, com temas nordestinos, constituem o ápice de sua obra. Mas ele foi também um ótimo artista gráfico e gravador. Foi um dos artistas que mais contribuíram para a projetar a arte brasileira no exterior''.


