O comediante Ronald Golias morreu na madrugada de ontem em São Paulo. Tinha 76 anos. Foi um dos pioneiros da TV brasileira. Ficou famoso pelos tipos cômicos que criou nas décadas de 50 e 60. Despontou no antigo humorístico ''Praça da Alegria'', ao lado de Manuel de Nóbrega, lançando o personagem ''Pacífico'', célebre pelo bordão ''Ô Cride''.
Alcançou o ápice de popularidade protagonizando o ''Bronco'', da ''Família Trapo'', sucesso da TV Record. O tipo, que já fazia sucesso no cinema, estreou na telinha em 1967 transformando-se no mais divertido e atrapalhado personagem do seriado. Ultimamente, Golias vinha participando dos programas ''A Praça é Nossa'' e ''Meu Cunhado'' (ao lado de Moacyr Franco), que tentavam ressuscitar seus personagens mais conhecidos no SBT.
O ator estava internado há três semanas na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Luiz, na capital paulista. Enfrentava problemas de saúde desde maio do ano passado, quando foi submetido a uma cirurgia no Hospital Sírio-Libanês para a retirada de um coágulo no cérebro, após sofrer uma queda. Já na UTI, respirava por aparelhos e se submetia a sessões de hemodiálise. Por volta de 5h30 de ontem, não resistiu a uma infecção generalizada proveniente de infecção pulmonar falecendo com insuficiência múltipla de órgãos.
Diferente da maioria dos colegas de metiê, ele não precisou adotar um nome que soasse ''mais artístico'' para se lançar no meio. Sua certidão já registrava Ronald Golias, filho de Arlindo Golias e Conceição D'Aparecida Golias. A aptidão se revelou precocemente. A estréia como ator ocorreu aos 8 anos de idade na Escola Dante Alighieri, em São Carlos (SP), a cidade natal.
Durante um tempo, ganhou a vida trabalhando como alfaiate e funileiro. Mudou-se para a capital paulista em 1940, quando integrou o grupo Acqua Loucos, precursor dos espetáculos aquáticos no Brasil. Por sugestão de Golias, os shows passaram a ter uma parte falada, o que o levou a participar do programa ''Calouros em Cena'', da Rádio Cultura.
Posteriormente, o ator passou a fazer parte do ''elenco'' da Rádio Nacional. Depois, o comediante passou para a TV, onde sua carreira se confunde com o início da televisão no País. Ao longo da trajetória, atuou tanto em programas bem-sucedidos como ''A Praça da Alegria'' e ''Família Trapo'' como em projetos fracassados como ''Superbronco'', uma cópia da série norte-americana Mork and Mindy, criada por Boni, na Globo, em 1979.
No cinema, estreou em 1957 na comédia ''Um Marido Barra Limpa'', de Luís Sérgio Person. Dois anos mais tarde participou de chanchadas como ''Os Três Cangaceiros'', onde contracenou com Grande Otelo. Participou ainda dos filmes ''Vou Te Contá'' (1958), ''Tudo Legal (Bronco)'' (1960), ''O Dono da Bola'' (1961), ''Os Cosmonautas'' (1962), ''O Homem que Roubou a Copa do Mundo'' (1963), ''Marido Barra Limpa'' (1967), ''Agnaldo, Perigo à Vista'' (1968) e ''Golias Contra o Homem das Bolinhas'' (1969).
Uma curiosidade de sua carreira foi ter apelidado Silvio Santos de ''peru'', alcunha que na década de 70 se popularizou a ponto de o apresentador ficar conhecido como ''o peru que fala''. O SBT, emissora do homem do baú e da qual Golias fazia parte do elenco fixo soltou um comunicado hoje em que enaltece os serviços prestados pelo ator na casa. ''Sua alegria e o amor pela vida deixaram marcas de perseverança em cada funcionário e colaborador da emissora. Salve Ronald Golias!'' assinada o texto.
O comediante receberia ontem sua última homenagem na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, onde seu corpo seria velado.

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