Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Por mais que a mídia jogue nos ouvidos da garotada apenas o som massificado, ainda assim parte da juventude está buscando a música brasileira. Prova disso são os cursos de pandeiro e bateria que o percussionista Oscar Pelon (ou Oscar Bolão) está dando na 8ª Oficina de MPB.
Para as aulas de pandeiro, pela primeira vez na Oficina, inscreveram-se 25 alunos, todos na faixa entre 18 e 20 anos. ‘‘Quando cheguei e vi a moçada fiquei muito feliz’’, comemora o professor. Outras surpresas o aguardavam, como os cinco argentinos que vieram especialmente, além dos demais provenientes de diversas partes do Brasil. Um desses é do Maranhão.
Oscar Bolão comenta que o pandeiro está dando a volta por cima, depois de amargar décadas de esquecimento. O retorno deve-se à onda dos grupos de pagode, explica. Embora tenha restrições a eles, reconhece que os pagodeiros contribuíram decisivamente para a valorização não só do instrumento, mas da música brasileira como um todo.
Amanhã têm início as aulas de bateria, também para 25 alunos, mas a procura continua. Aos retardatários que insistem em fazer o curso, Bolão manda conversar com os organizadores, pois para ele quanto mais melhor. Sua filosofia é a de Noel Rosa, devidamente colocada em música: ‘‘onde um passa fome, dois podem passar também’’.
Assim como foi com o pandeiro, também na bateria serão trabalhados ritmos como o samba, choro, maxixe, polca e marchinhas carnavalescas. A predominância dos ritmos é carioca, mas foi uma escolha de Bolão, devido ao curto prazo da oficina. Se buscasse a música de outras regiões, fatalmente iria pulverizar o ensino.
O professor que anos atrás participou do Festival de Música de Londrina, teve sua formação orientada por Luiz Anunciação e Luciano Perrone. Frequentemente convidado para participar como percussionista das orquestras sinfônicas Brasileira e Nacional, trabalhou em anos passados com Eliseth Cardoso e Dorival Caymmi.
Baterista da Orquestra Pixinguinha, Oscar Bolão não se dedica somente ao gênero tradicional. Ele também atua na música contemporânea, executando obras de compositores como Ronaldo Miranda, Tato Taborda e Tim Rescala. Integra os grupos ‘‘Coreto Urbano’’ e ‘‘Pife Muderno’’, dirigidos pelo saxofonista Carlos Malta.
No momento ocupa-se em escrever um método de bateria brasileira, e realiza uma pesquisa sobre a adaptação para a bateria de ritmos brasileiros, praticados originalmente com percussão.
Oscar Bolão não poupa elogios à Oficina de MPB. ‘‘É uma maravilha’’. Iniciativas como esta são necessárias para a juventude que quer descobrir, ou se aprofundar na música. Nesta mesma época realiza-se outro festival em Brasília, em meados do ano terá o de Londrian e em outubro, em Goiânia.
Infelizmente nada disso acontece no Rio de Janeiro, sua cidade natal. ‘‘É lamentável. Dizem que o Rio é a principal fonte de cultura. Isso é balela. Não tem lugar para músico tocar, ninguém faz nada pelo samba. Uma realização importante é esta que acontece em Curitiba’’.

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