Curitiba - No Japão, a tradição tem mais de 2 mil anos. No Brasil ainda caminha a passos lentos, mas já começa a ter visibilidade. E se depender do paulistano Setsuo Kinoshita, de 35 anos, a arte de tocar tambores japoneses instrumentos conhecidos como taikos também vão atravessar os séculos no Brasil. Kinoshita tem uma escola em São Paulo, onde ensina a arte milenar da percursão oriental. Ele também viaja pelo Brasil com a companheira Mitsue Iwamoto apresentando o espetáculo que reúne o que há de mais tradicional do taiko com influências brasileiras. Amanhã, a turnê que o casal e mais dois tocadores de tambores japoneses estão fazendo por dez cidades brasileiras chega ao Paraná.
A primeira apresentação acontece em Maringá. Na quinta-feira é a vez de Londrina e no domingo, o grupo desembarca em Curitiba para uma única apresentação no Teatro da Reitoria. O espetáculo é divido em três momentos. Passa pelo taiko tradicional e moderno, tocado atualmente nas festividades japonesas, e chega ao novo estilo desenvolvido por Kinoshita ao longo de seus anos de estudo. ''Nessa parte do espetáculo, valorizamos muito o timbre e a performance'', adianta.
Para mostrar o que ele chama de ''taiko brasileiro'', os músicos mesclam os sons dos tambores com situações bem brasileiras, como o samba e o futebol. ''Em determinado momento do espetáculo simulamos uma partida de futebol com os sons dos tambores'', conta o taikouchi (tocador de tambor).
Mas a música não é única atração do espetáculo. O taiko, nome empregado para designar em japonês tanto o instrumento percussivo quanto a arte da percussão, é uma mistura de ritmo e coreografia e exige um preparo físico apurado dos tocadores.
A arte de tocar o tambor começa já na sua confecção. Na semana passada, a TV Educativa (RTVE) retransmitiu um documentário produzido no Japão que mostra como os tambores são confecionados, desde a importante escolha da madeira até sua confecção final, processo que pode levar anos. ''Só para secar a madeira para o taiko, leva de um a dois anos. A confecção dos tambores tem vários segredos que são passados de geração para geração. Somente aquela família mostrada no documentário fabrica os tambores há 400 anos'', revela Kinoshita.
O taikouchi brasileiro começou a se interessar pela arte dos tambores ainda criança. Ele nasceu numa igreja japonesa, em São Paulo, e cresceu cercado de instrumentos religiosos, como o taiko. Em 1965, Kinoshita partiu para o Japão, em busca de profissionalização. ''Para mim era tudo novidade, tudo o que eu sabia do taiko tinha aprendido no Brasil, mas é no Japão que se toca o verdadeiro taiko'', diz.
O brasileiro ficou três anos no Japão e quando voltou para o Brasil, abriu a escola em São Paulo para passar a tradição para outras pessoas. Curiosamente, 99% dos alunos que hoje frequentam a escola de Kinoshita são descendentes de japoneses. ''Não é uma regra ser japonês para tocar o taiko, mas como não divulgo a escola, apenas as colônias japonesas ficam sabendo'', observa.
Para Kinoshita, aprender a tocar tambor pode levar uma vida inteira. Principalmente porque o instrumento não depende só da técnica. ''O taiko tem que passar o sentimento. Se você está triste, a música vai ser triste, se você está alegre, a música será divertida'', ensina.
Todas essas minúncias vão poder ser conferidas na turnê do quarteto intitulado Wadaiko-Sho. Wadaiko, ou taiko, refere-se exclusivamente ao instrumento percussivo tipicamente japonês. Sho significa viver. O nome Wadaiko-Sho foi escolhido como uma sugestão de como as pessoas devem proceder na forma de viver. A filosofia do grupo diz que, não importa o tipo de vida que se leve, deve-se sempre estar disposto a viver animado e com energia.
Além da dupla formada por Kinoshita e Mitsue, o grupo conta com os músicos japoneses, Kumiko Teraguchi e Michikazu Sasaki - todos líderes de outros grupos no Japão. Depois de passar pelo Paraná, o grupo ainda se apresente em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.


Serviço: Turnê do Wadaiko-sho, amanhã na Acema, em Maringá. Quinta-feira, em Londrina, no Cine Teatro Ouro Verde e domingo em Curitiba, no Teatro da Reitoria. Ingressos à venda nos locais de apresentações. Informações no site www.taiko.com.br

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