São Paulo, 18 (AE) - Após sete heróicas edições no coração do baticum, Salvador, o Panorama Percussivo Mundial - PercPan desembarca amanhã (19) na terra da britadeira buscando expandir sua área de influência. Será aberta no Teatro Alfa a edição paulistana do festival idealizado, desenvolvido, organizado e produzido na Bahia pela socióloga Elizabeth Caires, em março de 1994.
Depois de São Paulo, o PercPan - um dos mais sólidos eventos do gênero no mundo - instala-se em Paris, na Cité de la Musique, no Parc de la Villette, com uma apresentação monstro do bloco Ilê Ayê e 150 instrumentistas, a partir de 26 de maio. Ali
a ambição já é conquistar o mundo - mas, agora, somente com os brasileiros, o que inclui um grupo de índios do Alto Xingu com o pianista Egberto Gismonti. Com os corpos pintados, os índios camaiurás vão exibir sua música ritual sob o comando do pajé Sapaim, que Gismonti considera uma espécie de "mentor musical".
Segundo a organização, a idéia é realizar o festival em uma cidade diferente da Europa a cada ano. A Itália e a Alemanha já teriam demonstrado interesse. Outra cidade que vai sediar o PercPan é Nova York. O convite oficial partiu da Brooklyn Academy of Music e a primeira edição do evento, nos Estados Unidos, já está definida para 2002.
Amanhã, o programa do festival junta Martinho da Vila, a banda Tabanka Djaz e o músico Don Kikas (da Guiné Bissau e de Angola) e um grupo tradicional de Folia de Reis brasileiro. Além deles, a cantora Fafá de Belém e as Ceguinhas de Campina Grande. "É uma homenagem ao grupo, que não tem condições para sair de sua terra, muito menos possui empresário", conta a produtora e socióloga Elizabeth Cayres.
"Elas cantam aquele coco bem puro, tocando pandeiro", diz o percussionista Naná Vasconcelos, diretor artístico da jornada. "São cegas de nascença e o jeito como elas cantam e preservam a tradição do coco tem um aspecto religioso muito profundo", analisa. A mesma noite ainda traz o grupo africano Map Marimba Girls Plus e o espanhol Flamenco Native Ensemble. Outros destaques dos próximos dias são a cantora jamaicana Rita Marley, o percussionista marroquino Hassan Hakmoun e os Mestres do Cajón (da Espanha, do Peru e de Cuba).
O compositor e cantor pernambucano Lenine, o sambista carioca Martinho da Vila, as cantoras baianas Ivete Sangalo, Daniela Mercury e Margareth Menezes, além da cantora carioca Cássia Eller, estão entre os convidados nacionais. Já o cantor e compositor Gilberto Gil, o outro vértice da organização do festival, demonstra maior entusiasmo com a vinda de Rita Marley, viúva do cantor e compositor Bob Marley (1945-1981).
"Além de tudo o que a Jamaica significou nessa dinâmica cultural da Bahia e do Brasil, nos últimos anos, é muito importante ver Rita Marley em um trabalho que enfatiza aspectos da tradição musical jamaicana, reproduzindo a linha evolutiva que foi dar no reggae, passando por gêneros como o ska, o mento e o steady rock", disse Gil. "Para mim, isso tem uma carga de expectativa muito grande", afirmou o baiano. Serviço - "Percpan 2000". Amanhã e quinta-feira, às 21 horas. De R$ 20,00 a R$ 50,00. Teatro Alfa. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, tel. 5693-4000.

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