No final dos anos 80, Rossana Guimarães fez uma exposição em que asas de anjos, confeccionadas em alumínios, eram um sinal de sua caminhada de crenças e espiritualidade. No final dos 90, Rossana tem outro pensamento - em vez de ir em busca da representação, tomou da natureza os elementos que por si só falam de sua religiosidade e arte. Esse discurso materializado está em exposição no Museu de Arte Contemporânea, em Curitiba.
São 24 trabalhos, entre pétalas de rosas e jasmins, flores de lavandas, ossos de animais e fotografias protegidos sob vidros, acomodados em algodão e musgos. ‘‘Construo meu trabalho como o poeta trabalha o poema’’, compara. ‘‘Ele usa a palavra, eu os símbolos - que no caso são os próprios objetos’’.
Flores esmaecidas, pelos anos que estão guardadas, tecidos e correntes, madeiras e aço - aquilo que foi colhido ainda bruto da natureza, ou forjado em outros formatos, foram parar em nichos como aqueles de santos, ainda hoje comuns em cidades do interior.
‘‘Minha criação foi católica, cabocla, tem ligação com a arte popular’’, explica Rossana. São lembranças que não ficam prisioneiras do passado - trazidas para o presente, elas indicam um caminho para o futuro. Pelo menos para a artista que nestes anos todos vinha guardando esse material pelo simples fato da beleza.
Não havia a imperiosa necessidade de juntar para uma exposição; essa idéia surgiu depois. E veio como algo determinante: ‘‘Inaugura um novo momento no meu trabalho. Antes eu usava as imagens dos símbolos, hoje trabalho com os objetos’’.
Assim como os relicários católicos, também a artista monta os seus particulares. São ‘‘relicários do mundo que eu faço, dessa riqueza não vista normalmente pelas pessoas’’, comenta.

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