Pequenos com adrenalina no sangue
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terça-feira, 01 de novembro de 2005
Adriana Moreira<br> Agência Estado 
São Paulo - Dizem que tamanho não é documento e idade, tampouco. Destemidos, eles praticam rafting, rappel, canyoning e escalada, entre outras atividades que deixam os adultos sobretudo os pais de cabelos em pé. Aos 9 anos, Felipe Gomes Camargo começou a praticar escalada indoor. ''Passei na frente de uma parede com meu irmão e resolvemos experimentar'', conta. Hoje, aos 14 anos, ele participa de torneios de escalada esportiva na categoria master, a principal da modalidade, competindo com adultos. No ano passado, ficou em segundo lugar no Campeonato Brasileiro.
Para ele, o que mais atrai na escalada é o desafio. ''Estou sempre tentando me superar e também superar os outros'', avalia. Quanto ao futuro, ele ainda não sabe se continuará no esporte. ''Eu gostaria, mas sei que no Brasil é difícil.''
Morador de Brotas a Meca dos esportes de aventura , Luiz Gustavo de Franco Filho, de 9 anos, já perdeu a conta de quantas vezes desceu o Rio Jacaré-Pepira no rafting e no duck (bote de borracha para duas pessoas). ''É legal, gosto dos três saltos (sequência de corredeiras) porque dá friozinho na barriga'', conta. Gutinho, como costuma ser chamado, confessa ter medo de altura, mas adora o cascading. ''Acho divertido, depois do duck é o que eu mais gosto.''
Lidar com esse público, no entanto, não é fácil: as agências precisam de atenção redobrada e de um atendimento diferenciado, pois os pequenos são muito exigentes quando se trata de diversão. ''Já aconteceu de a criança não querer continuar no rafting. Nesse caso, a gente se comunica pelo rádio e vem outra equipe buscá-la em pontos de escape ao longo do rio'', explica Rafael Barbieri, um dos sócios da agência EcoAção, de Brotas.
A partir dos 2 anos já é possível introduzir a criança no mundo dos esportes radicais levando-a no floating, espécie de rafting em águas mais calmas. Já para fazer o bóia-cross e o rafting tradicional é preciso ter mais de 1,20 metro ou 7 anos. O cascading é recomendado somente para aqueles que têm mais de 10 anos.
Segundo Barbieri, as instruções precisam ser passadas de maneira mais fácil para os pequenos. ''A explicação é mais breve, para que eles não percam o interesse'', relata.
Outra grande preocupação é a segurança. ''Quando os botes vão com muitas crianças, como em excursões, colocamos dois instrutores e aumentamos o número de safeties na água'', afirma Barbieri. Há coletes de tamanhos bem pequenos, para que a garotada sinta-se confortável com o equipamento. Na empresa Canoar, a preocupação com a segurança também é grande. ''Escolhemos a equipe a dedo para acompanhar grupos com crianças'', diz o instrutor Kaká Manfrin.
Segundo ele, é preciso ter muito tato para lidar com os pequenos. ''Na hora de passar as instruções, fazemos algo dinâmico, chamando-os para participar. Assim, eles não dispersam.''
Aos 10 anos, Francielle Aguiar fez uma descida de rappel. ''Não senti medo'', garante. Esse ano, ela ganhou de presente de aniversário de 13 anos uma descida de rafting no Rio Juquiá, em Juquitiba. ''Eu queria há um tempão, adorei'', conta. ''Gosto de sentir adrenalina, não vejo a hora de poder descer de novo.''
Segundo Kaká, normalmente são as crianças que levam os pais para as atividades. ''Elas não têm medo, são os pais que ficam receosos'', diz. ''Muitas vezes, são elas que convencem os adultos a encarar uma descida de rafting.''
Um dos campeões na preferência infantil é o arvorismo. Não é à toa que, atualmente, um grande número de hotéis vem investindo na construção de circuitos próprios. Segundo a diretora da ONG Férias Vivas, Silvia Basile, os pais devem ficar atentos à empresa que montou o circuito. ''Às vezes, é o próprio dono do hotel quem monta, achando que é algo simples'', alerta. ''É preciso observar também se os monitores exigem o uso de capacete. Caso contrário, desconfie.''
Carolina Alves de Moura, de 10 anos, é uma ''viciada'' na atividade. ''Já fui mais de 15 vezes'', enumera. O circuito é sempre o da Lindóia Aventura, em Águas de Lindóia. Segundo ela, o que mais lhe atrai no arvorismo é a sensação de ''estar voando''. ''Tenho vontade de saltar de pára-quedas um dia'', diz. A mãe, segundo ela, normalmente a apóia. ''Ela sempre diz: 'depende do que você vai querer aprontar agora'.''


