PEQUENO JORNALISTA - Ler para pensar melhor
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
Ler, pesquisar e escrever. Esse não foi apenas um dever de casa para os alunos que participaram do V Concurso Pequeno Jornalista, promovido este ano pela Folha de Londrina. Para criar uma redação com o tema: ''Quem lê mais, pensa melhor'', eles tiveram que buscar muito mais do que boas ideias. Além de pesquisar referências sobre a importância da leitura, eles tiveram, é claro, que se aprofundar nos livros.
E é justamente essa a proposta do concurso que a cada edição tem revelado talentos dentro de cada escola e incentivado o hábito da leitura e escrita entre esses jovens aprendizes.
Ao todo, foram 312 estudantes participantes, de 28 escolas entre municipais, estaduais e particulares, de cinco municípios da região (Londrina, Cambé, Rolândia, Jacarezinho e Alvorada do Sul).
Após uma seleção feita por uma comissão julgadora composta por jornalistas, editores e funcionários da FOLHA, três redações foram escolhidas sob os critérios de originalidade, desenvolvimento, gramática e evolução do texto. Os selecionados estiveram na manhã da última quinta-feira (24), na sede do jornal para receber a premiação.
Tão eufóricos quanto os alunos estavam os pais, que até então não imaginavam a tamanha habilidade dos filhos para a construção de textos. ''Foi uma surpresa para mim. Apesar de saber que ela sempre gostou muito de ler, não sabia que escrevia tão bem'', contou Valéria, mãe de Rafaella Carollyne Garcia Silva, que conquistou o 1º lugar.
A menina, que é aluna de 4 série da Escola Municipal Santos Dumont em Cambé, não poupou no texto metáforas como ''ler é dar asas a sua imaginação''. Tímida e muito criativa, Rafaella demonstrou com palavras o quanto a leitura é uma diversão que ao mesmo tempo possibilita ter boas ideias.
Durante o trabalho em sala de aula, a professora Silvia Cândido Moraes observou que assim como Rafaella, os demais estudantes ficaram bem entusiasmados em participar. ''Eles demonstraram interesse em ler e escrever mais. E isso é muito benéfico porque eles passam a ter condições de expor e organizar melhor as ideias na hora de construir um texto'', analisou ela, ao elogiar a proposta do concurso.
No ano passado, a professora Silvia também esteve na premiação, acompanhando o aluno Bruno Garcia, que se destacou pela redação escrita com o tema ''Se eu encontrasse meu ídolo''. No texto, Bruno demonstrou toda a admiração pelo ídolo Homem Aranha, que também é muito idolatrado por Lucas Eduardo Ribeiro de Souza, aluno da 4 série da Escola Municipal Nair Auzi Cordeiro de Londrina.
Premiado com o segundo lugar, Lucas conta que desenvolveu o gosto pela leitura através das histórias em quadrinhos. Tamanha admiração pelos gibis resultou inclusive na criação de um personagem pelo próprio estudante. ''Ele era bem parecido com o Homem Aranha. Ah, e ele tinha um amor também'', revelou.
O contato com os livros e gibis se deu através do incentivo da mãe Rosana Ribeiro de Souza, que participou da premiação, acompanhada pelo marido Estevan e a filha Giovanna. ''Acho importante a participação de toda a família. Ficamos surpreendidos com a notícia de que o texto dele tinha sido selecionado entre tantos outros. Ele sempre foi um bom aluno, além de ser uma criança bem curiosa. Ele quer saber de tudo'', comentou.
Na redação, Lucas expressou em palavras o que a leitura representa para ele e afirmou que a leitura melhora o raciocínio. De acordo com o estudante, ''ler mais é aprender mais''.
Incentivo dos pais
Não é novidade que os pais têm um papel fundamental no hábito de leitura dos filhos. Assim como em muitas famílias, na de Gustavo Geovane Tamião de Souza, aluno do 5 ano do Colégio Monteiro Lobato em Alvorada do Sul, a intimidade com os livros foi estabelecida desde bebê. ''Minha mãe lia pra mim quando eu ainda estava na barriga. Com esse concurso, fui pesquisar sobre isso na internet e aprendi que os bebês sentem tudo o que acontece ao seu redor'', diz.
Foi a partir deste aprendizado que Gustavo escreveu a redação e consquitou o terceiro lugar no concurso. Com uma boa prática de escrita, o aluno contou que não teve dificuldade para desenvolver o tema deste ano, mas admite que o mais difícil foi realizar a pesquisa na internet. ''Eu descobri tantas coisas, que depois tive que ver o que colocaria'', comentou.
Esse cuidado com a interpretação dos conteúdos colhidos dos sites foi um ponto essencial para Gustavo e que fez toda a diferença, pois dos inúmeros textos que a comissão julgadora recebeu, alguns tiveram que ser desclassificados por apresentarem cópias de textos extraídos da internet.
Ao ler a redação de Gustavo, uma frase chama a atenção. É quando ele reforça que ''todas as crianças merecem acesso a livros, gibis, revistas, jornais e até conteúdo digital''.
Cleusa, a mãe de Gustavo, diz que até hoje é fã das histórias da Turma da Mônica e acredita ter influenciado o filho. ''Eu lia muito gibi para ele, pois sempre soube que o primeiro incentivo é dos pais e depois da escola. Estou tão orgulhosa dele que é até difícil descrever o que estou sentindo'', admitiu.
A professora Ivanil Ferreira Cardoso acompanhou a evolução do aluno. Em 2010, ele também foi premiado no Concurso Pequeno Jornalista, ao descrever como seria se encontrasse seu ídolo Maurício de Sousa.
''Os alunos já estão ansiosos para o tema do ano que vem. Eu acho que essa iniciativa do jornal é muito importante, pois eles acabam competindo entre si, mas é algo totalmente sadio. Ficamos um mês fazendo pesquisas sobre as utilidades da leitura e com isso, eles aprenderam que ler não revela outro caminho a não ser o do conhecimento'', salientou.
Como premiação, os alunos ganharam uma mochila com materiais escolares, livro e dicionário, além de certificados e kits FOLHA, que também foram dados às professoras.


