É uma agradável surpresa assistir a ‘‘Casamento Polonês’’, que acaba de chegar às locadoras, trazendo o aval do Sundance Festival. É um filme sobre pequenas vidas que disseca com muito humor, otimismo e maturidade o cotidiano de uma família de imigrantes poloneses na cidade de Detroit, nos Estados Unidos. A diretora Theresa Connelly apesar de ser desconhecida no meio cinematográfico, é famosa e sempre elogiada por suas montagens teatrais na off-Broadway.
Responsável pelo roteiro e direção, Theresa Connelly se baseou na história de sua família, mas ‘‘Casamento Polonês’’ não é autobiográfico. É uma crônica bem-humorada que retrata os hábitos culturais e comportamentais de uma comunidade polonesa na América. O filme fascina pela riqueza dos personagens e pelo clima mágico presente em muitas cenas. Sem se render às tradicionais fórmulas hollywoodianas, a diretora questiona valores normalmente inquestionáveis, como fidelidade conjugal e o amor incondicional. E, de passagem, critica a incoerência e a demagogia religiosa.
Gabriel Byrne é Bolek, um padeiro casado com a fogosa Jadzia (Lena Olin), uma faxineira que todas as noites sai para frequentar as reuniões da Liga de Mulheres Polonesas, mas na verdade vai se encontrar com o amante. A filha Hala (Claire Danes) é escolhida para liderar a procissão da Virgem Maria, mas acaba provocando um escândalo quando o padre descobre que ela está grávida. É a partir dessas situações tipicamente familiares que a diretora constrói um filme sobre a descoberta da identidade afetiva e sexual. É uma fita sobre a classe média, porém muito acima da média.
Os diálogos enxutos e inteligentes são valorizados pela afinidade do elenco que esbanja talento. Claire Danes, considerada a nova Meryl Streep do cinema norte-americano, está ótima no papel de Hala. Com apenas 19 anos, ela vem se destacando por atuações bastante diversificadas. Fez a heroína de Shakespeare em ‘‘Romeu e Julieta’’, uma teenager maluca em ‘‘Reviravolta’’, de Oliver Stone, a Cosette em ‘‘Os Miseráveis’’ e uma garçonete em ‘‘O Homem Que Fazia Chover’’, de Francis Ford Coppola. Logo ela estará de volta às telas em ‘‘Brokedown Palace’’, no qual faz uma jovem que é presa na Tailândia por posse de drogas. O filme está sendo apelidado de ‘‘O Expresso da Meia-Noite’’ versão feminina.
Mas se Claire Danes brilha em ‘‘Casamento Polonês’’, a sueca Lena Olin domina cada cena. Atriz de Ingmar Bergman em ‘‘Depois do Ensaio’’, ela teve belos papéis no cinema americano em filmes como ‘‘A Insustentável Leveza do Ser’’ e em ‘‘Inimigos: Uma História de Amor’’, mas nunca esteve tão bem como agora. Aliando beleza e talento, Lena está muito à vontade num papel que parecer ter sido escrito sob medida para ela. Tudo isso faz de ‘‘Casamento Polonês’’ um filme encantador. Lançamento Europa Carat. Duração: 103 minutos.ReproduçãoGabriel Byrne, Lena Olin e Claire Danes estão juntos nesta comédia sobre sexo, mentiras e segredosCelso Mattos

mockup