Pequenas mas agradáveis novidades
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quinta-feira, 04 de dezembro de 1997
Antônio Mariano Júnior Londrina 
DivulgaçãoBelô Velloso: Um Segundo não passa de um experimento, de busca de um caminho musicalEla chegou ao segundo disco. E achou bacana dar-lhe o nome de Um Segundo (Velas). Hum!! A novidade é que desta vez Belô Velloso dá uma leve paquerada com o pop e traz uma composição sua feita em parceria com o tio famoso -Acordar Pra Você, musicada por Caetano Veloso. Uma balada com firmes referências bossanovísticas. Não é dos melhores momentos do disco embora seja uma das poucas faixas em que Belô Velloso não se mostra tão pessimista quanto às coisas do amor. É que, a exemplo do que tia Bethânia normalmente faz, a cantora elegeu o lado mais melancólico do amor para compor quase todas as 12 faixas do repertório escolhido.
O mote foi usado também no trabalho de estréia. A diferença é que em Um Segundo, Belô preferiu expor cotovelos em brasa através de um revestimento mais agradável. Menos sofrido para o ouvinte. A tal paquera com o pop se faz de modo sutil, já que Belô ainda deixa bem claro que seu pezinho ainda está bem fincadinho na MPB tradicional. Na verdade, Um Segundo não passa de um experimento, de busca de um caminho musical que, por falta de classificação mais original, fica relegado ao plano do ecletismo.
Equívocos E é no meio desse ecletismo que há equívocos sérios. A versão tecno de esquina para As Curvas das Estradas de Santos é o pior exemplo. Em nome da modernidade, Belô e cia. conseguiram avacalhar de vez com um dos clássicos de Roberto e Erasmo. Pule essa faixa porque Um Segundo reserva surpresas agradáveis.
A começar pelo resgate de A Vida Tem Dessas Coisas, uma das canções que ajudou a projetar, na década de 80, um certo Ritchie. Ficou deliciosa mesmo que a cafonice melódica seja gritante. Delícia mesmo acontece em Send me Some Lovin (John Marscaldo-Leo Price) que recebeu uma versão interessante de Gilberto Gil assim como em Felicidade Total (Lucina-Zélia Duncan), um dos momentos altos do disco.
Há se de notar, por todo o disco, o esforço de Belô Velloso em se soltar mais como cantora embora seu cantar ainda se revele seco, contido. Muitas vezes faltam emoção e sinceridade na interpretação. Em Livre (Roberto Mendes e Mabel Velloso), para citar uma faixa, a impressão é que Belô Velloso fica a lixar as unhas enquanto solta alguns versos que deveriam ser mais sentidos.
Presa de um lado, solta por outro. De Paquito ela recebeu talvez a melhor faixa do disco, Despedida, um choro-canção que, por incrível que pareça, ela canta divinamente bem e solta. Dá gosto ouvi-la. Por enquanto, Um Segundo, mesmo simpático, agradavelzinho, e etc, etc, etc, é apenas uma promessa de que no próximo trabalho - mesmo que se chame Três Tempos ou coisas do gênero - certamente trará Belô Velloso musicalmente mais definida.


