Pequena encarnação do mal
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
Um suspense que caminha na linha tênue que separa o cult do trash. Esta é marca de ''A Órfã'' (''Orphan''), que estreia hoje no circuito de Londrina (veja a programação de cinema na pág. 2). Dirigido pelo espanhol Jaume Collet-Serra, de ''A Casa de Cera'', o longa aposta numa fórmula já consagrada no gênero: a de assustar usando crianças ''diabólicas''.
A exemplo de filmes como ''A Profecia'' e ''O Anjo Malvado'', aqui o mal é representado por uma personagem à primeira vista inofensiva. No caso, a menina Esther (Isabelle Fuhrman), uma órfã russa de 9 anos que surpreende por sua inteligência e carisma. Mais do que alguém carente de amparo, ela surge como a solução para os problemas de uma família em crise.
Kate (Vera Famirga, de ''Os Infiltrados'') e John (Peter Sarsgaard, de ''Soldado Anônimo'') não conseguem se recuperar da perda do terceiro filho. Quem sofre mais é ela, abalada com o aborto e ainda às voltas com o vício da bebida. A esperança desponta na forma da adoção, sugerida por sua terapeuta.
Durante uma visita a um orfanato, o casal logo se encanta pela menina russa. Esther canta, pinta e aprende qualquer coisa com uma rapidez impressionante. Mas se sente imcompreendida, diferente das outras crianças. A identificação entre e mãe e filha postiças é imediata.
Devidamente adotada, a garota tem dificuldades para se adaptar à nova vida. Principalmente na escola, onde é ridicularizada por conta do sotaque carregado e das roupas fora de moda que teima em usar. Não demora muito e a órfã se mostra uma figura misteriosa, que se tranca no quarto, pinta quadros enigmáticos e mantém um diário suspeitíssimo.
Em casa, as crianças reagem de forma diferente à chegada da nova moradora. Daniel, o irmão mais velho, desconfia da simpatia e dos bons modos da menina. Já a caçula Maxine, deficiente auditiva, rapidamente cria uma ligação com ela. Enquanto isso, Kate supera a depressão e se reaproxima afetivamente do marido.
Tudo isso acontece muito rápido, com um ou outro susto falso pontuando a ação. Até que, como era de se esperar, a menina começa a fazer das suas - e o filme encontra seu ritmo. De pequenas manipulações a crimes realmente graves, Esther simplesmente não contém seu ímpeto cruel. Com o tempo, o cerco vai se fechando contra ela.
Quando sua verdadeira história é revelada, as reações no cinema se dividem: há quem se horrorize e também quem caia na risada com a solução um tanto esdrúxula do roteiro. Entre o cult e o trash, a ''A Órfã'' está distante de ser um filme perfeito. Mas certamente vai prender os fãs do gênero.


