Ana Cristina César despontou nos anos 70 como uma das vozes mais peculiares de sua geração. Começou publicando poemas em edições próprias artesanais ''Luvas de Pelica'', ''Cenas de Abril'' e ''Correspondência Completa'' que mais tarde foram reunidos na coletânea ''A Teus Pés'', lançada pela editora Brasiliense dentro da coleção Cantadas Literárias.
Ao destacar-se dos pares, foi selecionada para fazer parte da célebre antologia ''26 Poetas Hoje'', organizada por Heloísa Buarque de Holanda. Formada em Letras pela PUC, do Rio de Janeiro, fez mestrado em Teoria e Tradução Literária pela Universidade de Essex, na Inglaterra. Na década de 70, deu aulas de português e inglês enquanto traduzia autores estrangeiros como Sylvia Plath e Katherine Mansfield e colaborava com os principais jornais alternativos do País escrevendo sobretudo resenhas para o legendário ''Opinião''.
Na época, ''era viciada em chás, remédios homeopáticos, iogas e ginásticas alternativas'', como anotou Ítalo Moriconi no livro-ensaio a ela dedicado na série ''Perfis do Rio'' da editora Relume Dumará. No período imediatamente anterior à sua morte, trabalhou na Globo como leitora e avaliadora de novelas. Já em outubro de 1983, deprimida, tentou se afogar numa praia. Algumas semanas depois, no dia 29, não segurou a barra e se matou.
Após sua partida, foram publicadas as obras póstumas ''Inéditos e Dispersos'' (1985), ''Escritos da Inglaterra'' (1988) e ''Escritos no Rio'' (1993).
(N.S.)

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