'Pensar não é fácil, mas é necessário'
''É preciso que a arte seja um motor de movimento interno''. Este é o mote seguido pela musicista, docente e atual diretora da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Janete El Haouli. Pesquisadora das percepções audíveis do ser humano, Janete dirigiu por quase quatro anos a Rádio Universidade FM, em que esteve à frente do programa ''Música Nova - rádio para ouvintes pensantes'', em que músicas de vários locais do mundo e diferentes épocas, eram trazidas para o público ouvinte. ''Eu acredito que é por meio da arte, seja visual, sonora ou olfativa, que você altera o modo das pessoas de perceberem o mundo. A arte não deve ser passiva, de enfeite'', afirma.
Na música, de acordo com a diretora, o eixo perceptível das pessoas apontam para uma produção mais tradicional, em que exista uma estabilidade melódica. Nesse sentido, ao escutar algo que não está de acordo com esta estética, a reação do público é geralmente preconceituosa. ''A primeira coisa a fazer é se desarmar, estar com a mente disponível e aberta para receber outras informações'', destacou Janete. ''Na hora que algo se torna familiar, tudo muda de configuração''.
Segundo ela, as pessoas possuem repertórios próprios, independente de serem considerados bons ou ruins, e a divulgação de novas experiências, contemporâneas ou não, devem ser mais veiculadas pela mídia comercial e não apenas pelas rádios educativas. ''É preciso despertar as pessoas. Como tornar algo familiar se ele não é divulgado?'', questiona. ''Os festivais são uma parte importante desse processo, mas as universidades e principalmente o poder público deve atender os diversos públicos que formam os grupos sociais''.
Para a diretora, o convívio é uma alternativa para que o ''diferente'' encontre o público. ''Nós somos levados por nossa cultura a se distanciar de imediato, gerando sentimentos de medo, insegurança e angústia. Mas a escuta é dinâmica e muda de acordo com essa vivência'', explica. ''Eu costumo dizer para as pessoas que se elas escutam uma obra e sentem angústia, o problema não está na obra musical, mas nela mesma''. ''É preciso incentivar o questionamento. Pensar não é fácil e as pessoas sentem preguiça, mas é necessário''.





