O acesso facilitado à tecnologia e à informação traz consigo, entretanto, o desafio de como trabalhar e decodificar todo esse volume de conhecimento, alerta o professor de marketing da Isae/FGV, Marcelo Peruzzo. ''A tecnologia não aumenta o amadurecimento. Maturidade e experiência não se compra nem se encontra num software. Preciso saber o que vou fazer com a informação, o Google ainda não tem essa ferramenta'', afirma Peruzzo. ''Falta começar a estimular o pensar, a idéia. O domínio da tecnologia a seu favor é uma vantagem apenas a curto e médio prazo. A única virtude que o computador não oferecerá é o pensar estratégico'', completa o professor.
A ansiedade provocada pela velocidade com que equipamentos e sofwares são substituídos, acaba ocupando também outros aspectos da vida dos jovens representantes da ''geração y''. ''Os relacionamentos estão muito superficiais, as pessoas não têm paciência para resolver os problemas. É mais fácil trocar. Infelizmente é o que acontece'', observa Danielle Ribeiro, de 25 anos, que não resiste aos lançamentos da indústria da moda e dos equipamentos eletrônicos.
Danielle trabalha na empresa do pai durante o dia, cursa a faculdade de Administração de Empresas à noite, frequenta academia, domina os idiomas inglês e espanhol, pretende começar as aulas de italiano em breve e planeja cursar a faculdade de Direito. Sobre sua mesa de trabalho, dividem espaço o computador da empresa, a televisão, o telefone, o computador pessoal portátil, o aparelho celular, o rádio comunicador e o recém-adquirido iPhone. ''Em casa é a mesma coisa'', conta a estudante, que tenta controlar a ansiedade. ''Não tenho paciência para esperar as coisas acontecerem, quero tudo para ontem. Queria ter mais tempo para fazer as coisas com mais calma'', revela. (D.R.)

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