Quando se é criança, parece que a maturidade não vai chegar nunca, muito menos a velhice. O cotidiano do adulto é longe demais e o importante é viver intensamente o momento presente. Mas tudo tem um ciclo e dentro da dinâmica da vida chega a hora em que inevitavelmente os cabelos vão ficar branquinhos e os movimentos mais lentos.
Para tratar desse assunto, um grupo de estudo interdisciplinar da Universidade Estadual de Londrina sobre o processo do envelhecimento está realizando algumas atividades com alunos de sexta série do Colégio Estadual Padre Wistremundo Roberto Perez Garcia, do Parque Ouro Verde. Conversas com os professores sobre a inclusão do tema no currículo escolar, dinâmicas com os estudantes e uma peça de teatro fazem parte do trabalho.
Em recente visita do grupo participante à escola, a sala de aula virou um verdadeiro ''laboratório'' de simulação de alguns aspectos físicos e emocionais da velhice. Com alguns dos dedos imobilizados por fita crepe e os olhos semi-vendados, os alunos tiveram que sentir na própria pele como é separar grãos de feijão e milho sem ter a mobilidade manual em perfeitas condições.
Em um outro momento, os alunos experimentaram o que é lidar com a dificuldade auditiva. Com chumaços de algodão nos ouvidos e um pirulito na boca, eles brincaram de telefone sem fio. Com algumas frases prontas, os estudantes tinham que repassar oralmente para o colega a frase correta - objetivo quase impossível. No final, a brincadeira, além de provocar muitas risadas, resultou na reflexão de que não é fácil se comunicar com esse tipo de dificuldade.
''Essas atividades são uma forma de fazer o aluno entender que com o envelhecimento o idoso vai tendo contato com uma série de dificuldades'', explicou Kiyomi Nakanishi Yamada, supervisora do projeto ''Atenção Interdisciplinar a Idosos na Comunidade (AINIC)'', que reúne 30 universitários dos cursos de enfermagem, medicina, serviço social, fisioterapia, farmácia e psicologia.
O projeto também inclui atuação no posto de saúde do bairro Cabo Frio, com a realização de visitas domiciliares aos idosos, capacitação dos cuidadores e familiares de idosos atendidos, além do trabalho de conscientização nas escolas. ''Trabalhamos no sentido de conscientizar os jovens e crianças sobre a questão do envelhecimento e a necessidade de mudanças de atitudes e haver mais respeito ao idoso. E começamos lembrando eles sobre o valor dos avós e bisavós'', acrescentou Kiyomi.
A estudante de enfermagem, Raquel Gvozd, 22 anos, integra a equipe que visita os idosos e afirmou que essa iniciativa está sendo valiosa para a sua formação profissional. ''Gosto muito de trabalhar com o idoso e através do projeto estou tendo a oportunidade de interagir mais e acompanhar o resultado no decorrer do tratamento ao idoso'', disse.
A coordenadora do projeto, Mara Solange Dellaroza, comentou que a escolha dos alunos da sexta série como público-alvo do projeto foi sugestão da própria escola. ''Nessa idade, os alunos estão numa fase intermediária entre ser criança e adulto, são mais abertas à reflexão que o trabalho propõe e normalmente ainda mantêm uma boa relação com os avós'', destacou.
Segundo a diretora da escola, Suely Aparecida da Silva, desde o ano passado os alunos têm se familiarizado com a temática do idoso e chegaram a visitar asilos e arrecadar roupas e alimentos para essas instituições. ''Acho muito importante esse tipo de trabalho e já dá para perceber mudanças significativas no comportamento do nosso aluno, até mesmo na forma de tratarem os nossos funcionários mais velhos. Infelizmente, trabalhamos com uma realidade em que há filhos e netos que maltratam os idosos'', destacou.
No caso da aluna Giovana de Araújo Pradal, 11 anos, a atividade foi bastante positiva. ''Foi legal, porque não imaginava como era difícil ser velho e, felizmente, me relaciono bem com os meus avós e visito eles quase todos os dias'', comentou.

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