PENÉLOPE DESTILA SONS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de junho de 2001
Ranulfo Pedreiro De Londrina 
Uma banda liderada por garotas com feminilidade à flor da pele. A Penélope chega ao segundo disco em Buganvilia, lançado pela Sony Music com charme latente, passando ao largo dos discursos feministas. O álbum faz uma costura entre características da cultura pop de várias décadas, resultando numa mescla moderninha de tons rosados.
Suave e contido, o grupo acumula traços da jovem guarda a presença de Wanderléa em Não Vou ser Má confirma , da new wave, dos Mutantes, reflexos dos anos 50, temáticas quase adolescentes e recursos eletrônicos. Há uma ambientação convincente, que traduz o jeitão do grupo como uma marca registrada, capaz de levantar algumas composições ainda incipientes. Essa característica concentra grande parte da personalidade da banda.
O caldeirão de referências abriga ainda temperos psicodélicos, irreverência e descontração. As guitarras permanecem sujas em algumas faixas, mas sem muita contundência. A Penélope trabalha os clichês com eufemismo, amenizando arestas mais agudas, revelando-se em baladas existencialistas.
Essa suavidade tem momentos melódicos interessantes. O instrumental praticamente segura a base para arranjos despojados e adereços retrôs, como tecladinhos propositalmente datados. A fórmula ainda carrega rastros alternativos, de banda indie.
Surgido na Bahia em 1995, o grupo se revelou no Abril Pro Rock de 1997 e, no mesmo ano, assinou com a Sony. O primeiro disco, Mi Casa, Su Casa, só saiu em 1999.
Buganvilia não é um álbum para aficionados em virtuosismos, nem para quem espera do pop atitudes radicais. O CD segue descompromissado, acertando mais que errando no cruzamento entre diversão e uma agonia sentimental contida, romântica. Vale destacar a versão de Ciranda da Bailarina (Chico Buarque/Edu Lobo) e Um Quarto para as Horas (Constança Scofield), com arranjos de sopros de Carlos Malta.


