São 37 anos de carreira. Cantando temas do campo e mantendo-se fiel ao objetivo de divulgar as raízes da cultura brasileira, a dupla sertaneja Pena Branca e Xavantinho inicia, hoje, no Sesc Pompéia, em São Paulo, uma série de shows que marcam o lançamento do CD ‘‘Coração Matuto’’.
O CD, 14º da dupla, promove uma viagem pelo interior do Brasil. Em suas 13 faixas, além de regravações, como ‘‘Morro Velho’’ (Milton Nascimento) e ‘‘Planeta Água’’ (Guilherme Arantes), o disco traz canções inéditas num vasto campo de estilos, que segue da moda de viola até o arrasta-pé, o lamento e o boi.
‘‘Trata-se de um mapa cultural do Brasil. Fizemos uma pesquisa, e as músicas resgatam a memória, os costumes e as raízes culturais de todas as regiões’’, explica Xavantinho. ‘‘E o show é como um filme da vida no campo. Com viola, violão, percussão e baixo acústico, nesta primeira apresentação no Sesc Pompéia, a dupla estará trazendo os sucessos da carreira, entre eles ‘‘Cio da Terra’’ e ‘‘Cuitelinho’’.
O novo CD será apresentado no Tuca, quando a dupla cantará junto com Renato Teixeira, no dia 24 de abril e com Guilherme Arantes, em 26 de abril. ‘‘Cantaremos esse espírito de ser matuto, de ser um pouco caipira e ter com um compromisso com a cultura brasileira’’, explica. Depois do teatro Tuca, a dupla iniciará uma turnê pelo país. Discriminados no início da carreira, os irmãos José Ramiro Sobrinho, 58, e Ranulfo Ramiro da Silva, 55, Pena Branca e Xavantinho, criaram a dupla em 1961 e só gravaram o primeiro disco em 80. ‘‘Não pretendíamos seguir carreira. Cantávamos em função das festas e para consolar a morte de nosso pai’’, admite Xavantinho.
Com o primeiro trabalho gravado, a dupla sertaneja conquistou o Brasil. Ampliou o sucesso com a regravação de ‘‘Cio da Terra’’ e a parceria de trabalho com Rolando Boldrin. ‘‘Sempre fomos guiados por grandes nomes, como Milton Nascimento, Rolando Boldrin e outros que marcarão para sempre nosso trabalho’’, avalia.
Nos demais discos, recheados de participações especiais, a dupla manteve o estilo sertanejo que, segundo Xavantinho, hoje, aparece distorcido. ‘‘Aqueles que cantam em dupla ganham o título de sertanejo. Mas o romantismo de algumas delas está distante do sertanejo, além de ser uma mistura de estilos, incluindo o country. Ser sertanejo é ter originalidade, cantar o folclore, o amor e o campo’’, admite. Ele afirma que a opção pela música sertaneja tornou a dupla um referencial. ‘‘A dupla é porta-voz da cultura do campo. Hoje, os novos talentos da música sertaneja estão anônimos, espalhados no interior e nas regiões com tradição de festas e costumes.’’

mockup