Rubens Pileggi Sá
De Londrina
Especial para a Folha2
Escultura é tudo aquilo que ocupa lugar no espaço. Ou o que nos faz percebê-lo. É o que descreve a particularidade de um lugar. Segundo a crítica de arte norte-americana Rosalind Krauss, é o que fica entre a arquitetura e a natureza. Incluindo aí a definição de instalação.
Dirigir o olhar do observador para um determinado ângulo ou oferecer todos eles à contemplação, tirar ou colocar o pedestal da estátua, sempre foram assuntos que renderam boas discussões no mundo da arte, assim como a velha questão da carpintaria e da modelagem. A questão é se a escultura seria retirar ou adicionar matéria à forma. No primeiro caso podem ser utilizados materiais como a madeira ou o mármore. No outro, formas de gesso ou silicone, a partir de modelos, preenchidos com materiais derretidos como a cera, bronze ou ferro.
Michelangelo esculpia sobre blocos inteiros de mármore. Ele não aceitava juntar partes de outros blocos para a realização de suas figuras. Já Bernini não tinha problemas quanto a isso. E seus ‘‘remendos’’ entre as pedras eram divinos.
Rodin foi um modelador de figuras cheias de expressão, mas foi seu contemporâneo, o italiano Medardo Rosso que modificou o conceito de escultura em seu tempo. Suas peças, refinadas e escorridas, tendiam sempre no sentido de se ajustarem à força da gravidade.
Brancusi, já em tempos de modernidade, elevou o pedestal à categoria de arte, incorporando-o ao seu trabalho como um todo. Existencialista, Giacometti submetia suas figuras esquálidas à corrosão do espaço opressor. E Picasso embaralhou tudo ao soldar canos de ferro em uma época de liberdade criativa. Duchamp, por exemplo, mandou para o salão dos surrealistas um urinol deitado, dando a ele o nome de ‘‘Fonte’’.
Há também o que se chama de site-specific, que são obras feitas para determinados lugares, seja fora ou dentro de ambientes arquitetônicos. Além da land-art, feita no meio de paisagens e até conceitos como não-escultura, não-espaço, que é o negativo de algum lugar, podendo falar de ausências, um buraco por exemplo.
A arte da escultura percorreu longo caminho até nos tirar os pés do chão e sacudir o volume escultórico dos nossos corpos, despertando-nos para lugares onde podemos perceber como é amplo o espaço.

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