Curitiba - Tem uma velha e canção que diz: ''Nem tudo que brilha é ouro/ nem tudo que balança cai''. Cartazes nas portas dos teatros nem sempre são a garantia de bons espetáculos, mas houve bons momentos que marcaram a temporada de 2001 em Curitiba, seja na dança, na música ou nos espetáculos teatrais. Por caminhos diversos a platéia deixou-se tocar pela alegria, por lembranças ou o que quer que seja a emoção. E assim se passou mais um ano.
O encontro de Gilberto Gil e Milton Nascimento manteve aqui a aura de importância histórica que vinha de outras capitais. Já Ney Matogrosso quebrou com as expectativas da pomposidade para encarnar um Rio de Janeiro esfuziante, divertido e brejeiro com seu ''Batuque'', com referências a Carmen Miranda.
Atração internacional, o Circo Imperial da China levou famílias inteiras ao Guairão. No mesmo tablado onde os ginastas e acrobatas prenderam a respiração da assistência, também o bailarino espanhol Antonio Marquez levou o público ao delírio com seu balé primoroso. Desde a primeira temporada de Antonio Gades, nos anos 80, não se via um trabalho tão apaixonante com as cores de Espanha.
A cantora curitibana Sandra Avilla bancou um espetáculo de jazz num dia de semana no Guairinha. Com um repertório formado apenas por clássicos da música americana, conseguiu marcar um dos melhores momentos musicais do ano, desde que se esqueça o quadro do sapateado. No mais, um espetáculo perfeito. O Grupo Uakti, a cantora Ná Ozetti, o violonista Yamandu Costa também marcaram pontos.
Antonio Fagundes protagonizou uma das montagens mais sensíveis que passou pela cidade: ''Últimas Luas''. Na mesma linha de se trabalhar com a emoção vieram Paulo Autran e Cassio Scarpin com ''Visitando o Sr. Green''. Entre os grupos locais o Satyros levou a melhor com ''Quinhentas Vozes''. Apontado como o espetáculo do ano pelo júri do Troféu Gralha Azul, teve na atriz Silvanah Santos um de seus pilares.
Mas no apagar das luzes ''Anti-Nelson Rodrigues'', levado no intimista Espaço Dois, foi um brilho só. O elenco, afiadíssimo, deu um banho de interpretação. Ainda assim o ator Ranieri Gonzalez manteve-se acima do bem e do mal; foi a perfeição em cena. Sob o comando de Edson Bueno a peça volta em janeiro de 2002. Ainda bem.

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