Curitiba Cadeiras afastadas ou em círculos, portas fechadas, corredores tomados pelas mais diversas ''tribos'' e muito, muito barulho. A rotina do Colégio Estadual do Paraná, um dos mais tradicionais da cidade, voltou a se transformar em janeiro, durante a Oficina de Música de Curitiba. É quando cerca de dois mil alunos invadem as salas de aula para estudar os mais variados instrumentos. Aproveitam o tempo entre os cursos para ensaiar, com a disciplina que a música exige. O resultado é uma rotina pouco peculiar que se torna um espetáculo à parte, entre os tantos que integram a programação da 21 Oficina de Música.
Este ano aliás, o retorno ao colégio que abrigava o evento há mais de cinco anos, é motivo de comemoração pela maioria dos alunos entrevistados pela reportagem da Folha2. No ano passado, as oficinas foram ministradas no Colégio Paranaense, já que as datas do concurso vestibular realizado no Colégio Estadual coincidiram com as do evento musical. ''Essa escola é melhor, os cursos ficam mais organizados e tem mais espaço para ensaiar'', diz a estudante gaúcha Maria Fernanda Leitão Carrabano, de 15 anos, sobre a escola atual que abriga o evento.
Há quatro anos, Maria Fernanda participa da Oficina de Música de Curitiba. Este ano, optou pelo curso de violino barroco e como o instrumento exige bastante estudo, aproveita o tempo livre para ensaiar nos corredores da escola. Não é tarefa fácil, já que como ela, centenas de alunos têm a mesma idéia. O resultado é uma miscelânea de sons, não exatamente combinados, mas bastante harmoniosos individualmente.
A estudante de violoncelo Letícia de Oliveira, de 23 anos, também veio de Porto Alegre para participar da Oficina. Como está hospedada em um hotel, os corredores ora vazios ora congestionados do colégio são um convite para os ensaios. ''A oficina é uma oportunidade para aprendermos. Ver tantos alunos com o mesmo objetivo, estimula e faz crescer'', defende Letícia. Ela já participou de outros cursos de música em outras cidades brasileiras, mas acredita que a oficina de Curitiba está entre as melhores. '' Os professores são bons, há bons regentes e ótimos concertos. E tudo em um mesmo local.''
Já o curitibano Bernardo Vítola, de 18 anos, não compartilha da opinião. Ele diz que ter um bom aproveitamento nos cursos da oficina é questão ''de sorte'' ou ainda ''de ser escolhido''. Para Bernardo, que participa pela terceira vez do evento, as vagas não são suficientes. ''E quando você consegue uma vaga, às vezes não fica num bom grupo'', complementa. O estudante observa ainda que os alunos das oficinas tem um nível muito baixo de ensino. ''É um reflexo do ensino da música no País'', argumenta.
Mas para o ''dono da bola'', o diretor artístico da fase erudita da oficina, Alex Klein, nunca a Oficina de Música teve um nível tão bom como o desse ano. '''Está muito melhor do que no ano passado, por exemplo, estamos aprendendo bastante, dando um salto na programação e mantendo a qualidade dos eventos'', diz. Quanto ao fato da oficina estar, pelas primeira vez na sua história, cobrando ingressos para os concertos, Klein é categórico: ''Um real, cinco reais? Isso não é cobrança...'', defende. ''Além do mais, precisamos cobrar para poder dar bolsas de estudo para alguns alunos e compensar a captação da Fundação Cultural, que gira em menos de 50% do valor total da oficina'', justifica.
Este ano, 100 professores, de mais de 15 países, ministram pouco mais que uma centena de cursos durante a oficina. Não é preciso mais que um passeio pelos corredores do Colégio Estadual para perceber que muitos alunos são de outros estados, mas a Fundação Cultural não tem dados estatísticos sobre quantos estudantes são de fora da cidade. Seja qual for a origem, no entanto, eles têm à disposição uma programação bastante variado e em horários que se adaptam aos cursos.
Hoje por exemplo, a programação começa às 12h30, no Teatro HSBC, com Música de Câmara, Duo de violino e piano, com Augusto Trindade no violino e Olga Kiun no piano. Às 19 horas, no Teatro SESC da Esquina tem Música de Câmara, Duo de contrabaixo (Milton Masciadri) e piano (Olga Kiun) e Claudio Cruz no violino, como músico convidado. Encerrando a programação do dia, às 21 horas, no Canal da Música, tem Orquestra com instrumentos originais, programa de Johann Sebastian Bach. Os solistas são Ricardo Kanji e Cesar Villavicencio (flautas doces e traverso), Luiz Otávio Santos e Rodolfo Richter (violinos) e Nicolau de Figueiredo (cravo).
Também hoje tem ''Concerto em Dó menor'' para oboé e violino, com Alex Klein no oboé e Rodolfo Richter no violino e ''Concerto Triplo em Lá menor'', com Ricardo Kanji na flauta transversa, Rodolfo Richter no violino e Nicolau de Figueiredo e Orquestra de cordas
Amanhã, a programação da oficina traz, às 12h30, no Teatro HSBC, Música para Orquestra de palhetas duplas e Sonata para dois oboés, fagote e baixo contínuo. A direção é de Alex Klein e Afonso Venturieri. Às 19 horas, no Teatro SESC da Esquina tem Concerto de Música Contemporânea com Chico Mello, Jacques Demierre, Brandon LaBelle, Tato Taborda. Encerra às 21 horas, no Canal da Música, com o concerto ''Música Antiga com Instrumentos Originais''
Serviço:
21 Oficina de Música de Curitiba, até o dia 25 de janeiro. Ingressos a R$ 1,00 mais um quilo de alimento para os espetáculos realizados no Teatro HSBC e R$ 5,00 para os espetáculos que acontecem no Sesc da Esquina e às 21 horas. Alunos com crachá da Oficina de Música não pagam ingresso.

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