Pelos caminhos de São José
É atração à primeira vista. Quem passa por Tiradentes não consegue ficar passivo frente à grandiosidade da Serra de São José. Pano de fundo para o cenário de casarões e igrejas da cidade, o enorme paredão reserva trilhas e cachoeiras para os mais aventureiros. São 15 quilômetros quadrados de quartzito e muito, mas muito verde.
Os roteiros ecológicos de Tiradentes ainda não foram muito explorados e há poucos guias para acompanhar os passeios pela serra. Segundo a Secretaria de Turismo, jovens e estrangeiros são os principais desbravadores desse lado mais selvagem de Tiradentes.
De uma lista de quase dez passeios, os dois mais procurados são o da Calçada dos Escravos e o da Cachoeira do Mangue. Ambos ao pé da serra, porém localizados em pontos opostos. E, se a resistência física estiver em dia, vale a pena fazer o trajeto entre os dois extremos por uma trilha com cerca de 12 km de extensão. A pé, leva-se quase cinco horas para percorrer o trecho. A cavalo, demora-se a metade do tempo, porém o tranco é bem maior, pois as subidas e descidas são intermináveis e quem não está acostumado a cavalgar pode se arrepender no meio do caminho. A companhia de um guia é imprescindível.
Seria mentira dizer que o esforço é pequeno. Caminha-se por chão de terra, mato, pedra e areia resquícios de que um dia Minas já foi mar, como eles adoram contar por lá. O preço, R$ 60 por grupo, também pode assustar. Mas, quando chegar ao ponto mais alto, a mais de 1.100 metros de altura, não há cansaço e falta de ar que atrapalhe o estado de deslumbramento.
Além da vista de infinitas colinas verdes que se estendem até o horizonte, esse é o melhor ponto para fazer uma fotografia panorâmica de Tiradentes. Com certeza, será a mais bela imagem registrada da pequena cidade mineira.
Aceita um conselho? Comece pelo lado da Calçada dos Escravos, pois assim você termina na Cachoeira do Mangue e, se estiver calor, poderá se refrescar nas piscinas naturais que se formam entre as três pequenas quedas d'água.
Saindo do centro histórico, é preciso caminhar ou melhor, subir durante uma hora para chegar à parte da trilha que, tempos atrás, foi calçada com pedras perfeitamente encaixadas pelos escravos no século 18. Antigamente esse pedaço ligava Tiradentes ao Arraial da Laje (hoje o município de Resende Costa).
Seguindo o caminho das pedras você encontrará uma cruz, também de pedra, que marca o local onde um carteiro foi morto quando tentava levar uma mensagem importante para a cidade. Diz a lenda que não se pode passar por lá sem jogar uma pedra ao pé da cruz. E, pela montanha de pedregulhos que se acumularam em seu entorno percebe-se que a história é levada a sério pelos andarilhos.
Em alguns trechos do trajeto, um presente para os turistas. Mesinhas e cadeiras montadas com pedras à sombra de pequenas árvores. Lugares perfeitos para descansar e repor as energias.
Nunca é demais avisar que protetor, boné e água são sempre bem-vindos na mochila, assim como um agasalho, pois nos pontos mais altos há um ventinho. Se a água acabar não tenha medo de encher a garrafa nas bicas de águas naturais que encontrará pelo caminho.





