Quando Jane Duboc tinha 17 anos, só pensava em jogar voleibol. Por levar jeito como cortadora de um time de Belém, no Pará, a cantora acabou ganhando uma bolsa para jogar e estudar na Universidade da Georgia, nos Estados Unidos. Impulsiva, não pensou duas vezes e mudou de país. Para se sustentar, começou a cantar em igrejas, bares, boates com um repertório que incluía de MPB à música country. ‘‘Não foi nada planejado. Quando vi já era uma profissional da música’’, acredita a cantora, atualmente com 47 anos e quase 30 de carreira. O CD ‘‘Todos os Caminhos’’, lançado pela Movieplay, é o 14º CD de Jane no Brasil e a cantora ainda tem outros três lançados somente no exterior - mantém a característica da paraense como intérprete independentemente do gênero.
O CD ‘‘Todos os Caminhos’’ traz 15 faixas inéditas que misturam composições de Fátima Guedes, Dominguinhos e até do pernambucano Lenine. ‘‘Meu ouvido não tem preconceito com nada’’, garante Jane, que nos Estados Unidos acabou se formando em canto lírico, além de ter aprimorado o estudo de piano, flauta e violão.
A faixa ‘‘Lá e Cᒒ, que foi assinada e tem a participação de Lenine, é um samba funk que abre e fecha o CD. A primeira versão tem três minutos e a última é integral, com seis minutos. ‘‘Tínhamos de fazer uma mais curta para tocar nas rádios’’, justifica Jane. Lenine também compôs com Duda Falcão a balada ‘‘Todos os Caminhos’’, em que Jane pôde extravasar como uma intérprete romântica.
O CD traz um compositor inédito na carreira de Jane: o próprio filho da cantora, Jay Vaquer, de 26 anos. Filho do casamento de Jane com um americano, Jay assina a faixa ‘‘Ninguém’’, uma balada com toques de blues. Jane conta que se surpreendeu quando o filho também enveredou pela carreira musical, pois ela acreditava que ele queria ser ator. ‘‘Nunca o influenciei. Mas adorei a música logo quando ele me mostrou’’, derrete-se a cantora.
Na inédita ‘‘Rom㒒, uma espécie de ode ao amor, assinada por Dominguinhos e Fausto Nilo, Jane faz dueto com Paulinho Nogueira. A idéia de ter uma composição de Dominguinhos no CD veio quando Jane encontrou o músico na gravação de um outro trabalho: o CD ‘‘Da Minha Terra’’. Produzido pela Secretaria de Cultura do Estado do Pará, ‘‘Da Minha Terra’’ foi um CD de tiragem restrita feito somente com compositores paraenses. ‘‘O CD tem ícones regionais como Paulo André Barata e Vital Lima e ninguém vai poder ouvi-lo’’, lamenta Jane.
‘‘Todos os Caminhos’’ também traz uma faixa com letra da própria Jane e música de Keco Brandão. A cantora explica que escreveu os versos de Bonsai que dizem ‘‘achar o equilíbrio, as formas do perdão’’ como uma espécie de catarse para alguns problemas pessoais. ‘‘Para não estourar no dia-a-dia, fiz a letra’’, acredita.
A música ‘‘Paixão Zen’’, composta por Fátima Guedes, também tem uma relação extremamente pessoal com Jane Duboc. A música fala obviamente de paixão, mas também de sinos. Jane relembra que na primeira vez que ouviu a composição começou a se recordar da infância passada na casa da avó materna em Valença, no interior do Rio de Janeiro, numa cidadezinha onde a igreja era o centro das atenções da comunidade. ‘‘A música traz uma vibração bastante positiva’’, garante.
Enquanto está na estrada com os shows de divulgação do CD ‘‘Todos os Caminhos’’, Jane já pensa em mais um projeto. Pretende lançar em março um novo trabalho com músicas inéditas e a participação de Zezé Gonzaga. A produção artística vai ser de Hermínio Bello de Carvalho e os arranjos de Maurício Carrilho.Roberth Trindade/Carta Z NotíciasJane Duboc: ‘‘Todos os Caminhos’’ é o 14º CD da cantora no BrasilAna Lúcia do Vale
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