PELLEGRINI QUER CULTURA VIVA
O que o levou a aceitar o cargo de Secretário da Cultura?
Foi vislumbrar a gigantesca possibilidade que Londrina tem na área cultural. E o descaso, o desrespeito, a absoluta ausência de uma política, neste momento, para o setor. E o desafio eu nunca ocupei um cargo público executivo. Sou um otimista visceral, não gosto de desculpas. Quero ver se não dá para fazer mesmo, temos a possibilidade de transformar, pela primeira vez no Brasil, a cultura em política pública, que é o projeto do Nedson. A cultura é tão essencial para a vida do cidadão quanto a saúde, a educação. Vamos tentar discutir nossa identidade e amarrar tudo isso num projeto de consolidação regional, uma cultura que gere renda, uma cultura profissional, uma cultura de resultado. Mas a gente tem uma prefeitura quebrada, um zero à frente, um nada.
Em uma entrevista durante a campanha, Nedson falou que a cultura seria a mola mestra da Rede da Cidadania...
O primeiro passo é transformar a cultura em política pública, para deixar de ser o chantili do bolo para ser a própria massa. A Secretaria de Cultura deve ser o grande suporte para que o realizador possa trabalhar. O eixo básico é a Rede de Cidadania, é a criação de um circuito. Como esse circuito, a gente vai ter que conversar com a cidade inteira, com todos os segmentos.
O que precisa para colocar esse trabalho em pé? Como você imagina implantar um projeto como a Rede da Cidadania com um déficit de R$ 500 milhões na prefeitura?
Tivemos uma gestão que não se preocupou com a cidade. O primeiro momento vai ser um deus-nos-acuda para tentar botar em ordem nas coisas. Tenho muita informação, mas não um quadro real do que vou encontrar na secretaria. A primeira coisa que vou fazer é conversar com a equipe. O que nós temos, o que podemos fazer e como vamos nos organizar para fazer. O segundo passo é ouvir todos os segmentos, abrir as portas e conversar. Profissionalizar a captação de recursos e tentar realizar com projetos e com voluntários um esboço sólido e consistente no ano que vem, para em 2002 termos isso integrado no orçamento da cidade, de maneira racional, consequente e real. O secretário não é a estrela da secretaria, ele tem que estar trabalhando. A cultura traz os problemas à tona, denuncia, espelha, revela, aciona a comunicação entre as pessoas para que os problemas sejam resolvidos.





