Arquivo FolhaDomingos Pellegrini afirma que amadureceu tardiamente para a ‘‘literatura de fôlego’’.PELLEGRINI LANÇA
‘TERRA VERMELHA’
O escritor de Londrina está em Curitiba para lançar seu primeiro romance, inspirado na ocupação do Norte do Estado
Zeca Corrêa Leite
O escritor Domingos Pellegrini depois de publicar livros de contos, novelas, poesia e até uma biografia, acredita que atingiu um tempo de sua vida em que toda essa produção serviu para o que ele chama ‘‘literatura de fôlego’’, ou seja, o romance. ‘‘Amadureci tardiamente para o gênero’’, diz o escritor de 49 anos que no dia 16 (sexta-feira) lança ‘‘Terra Vermelha’’, na Livraria Leia Bem, no Batel.
O livro, que ele considera uma epopéia, detém-se nas pessoas simples, anônimas, e cujas vidas comuns ganham ares de importância pela sóbria marca da integridade. ‘‘Além da história de Londrina, é a história de um casamento e dos amigos desse casal. São pessoas que se respeitam e se amam, apesar das diferenças’’, explica.
‘‘Terra Vermelha’’ é ambientado nos anos 30, e mesmo sendo um trabalho ficcional, tem seus protagonistas amparados em pessoas que realmente existiram e despertaram a admiração de Pellegrini. Foi deles que nasceram essas existências literárias, como uma homenagem feita pelo autor.
‘‘Procurei me basear em personagens fenomenais. Isso dá densidade ao livro’’, ele conta, justificando essas presenças. ‘‘Consegui juntar um grupo de amigos que têm ideais e, apesar da narrativa se passar em Londrina - é a minha Macondo -, os valores são universais’’.
Num mundo que parece estar de cabeça para baixo, obras que abordam a ética como princípio de vida, caminham pelo lado errado. ‘‘Parece moralismo, mas esta é a hora de se debater as normas de conduta moral, social, humanitária’’, afirma o escritor.
Humor na ficçãoA visão de Pellegrini sobre a vida é testemunhada em sua escrita, mas nem por isso ele vai se amparar na literatura para dar vazão a discursos. A arte é muito mais profunda. Também não aceita a desesperança nas letras. Para ele o ser humano nasce condenado a tanto sofrimento que não merece abrir um livro para absorver desesperança.
Adepto ao humor e a uma certa leveza nas letras, o escritor faz questão de deixar claro que assim como não trabalha com o amargor, também não vai atrás do adulcorado. A matéria prima é a vida, que condensa tudo dentro de uma química muito própria.
O livro com mais de 500 páginas começou a ser escrito no começo da década. Estava com 80 páginas quando Domingos Pellegrini remeteu para a Fundação Vitae, pleiteando uma bolsa para sua realização. Acabou ganhando o incentivo e teve pela frente dez meses exclusivamente para a realização do romance. Inseguro, reescreveu-o quatro vezes.
Em 1996 colocou um ponto final definitivo na história e em 97 remeteu os originais para a Editora Moderna. A aceitação que o livro vem obtendo é maior do que ocorria com as narrativas curtas. ‘‘Romance é uma vida extra que as pessoas compram’’, reflete.
De uma lista formada por 25 títulos, os últimos pertencem ao nicho de ‘‘literatura de fôlego’’: ‘‘Questão de Honra’’, também publicado pela Editora Moderna, após uma primeira edição do Farol do Saber; ‘‘O Caso da Chácara Chão’’, concluído há três meses e, no momento, escreve ‘‘No Coração das Perobas’’, narrando a vida de um remanescente da coluna Prestes.
Quando a coluna Prestes atravessou o País, desafiando os poderes, tinha entre seus integrantes dez garotos. Por que um deles não poderia estar vivo nos dias de hoje? É sobre esse suposto personagem que Pelegrini dedica seus dias. Ele interromperá a escrita para divulgar ‘‘Terra Vermelha’’. Depois do lançamento em Curitiba, participa da Bienal do Livro no Rio de Janeiro, dia 22, e do Salão Internacional do Livro, em São Paulo, dia 24.
‘‘Terra Vermelha’’, romance de Domingos Pellegrini, será autografado pelo autor no dia 16 de abril, às 19 horas, na Livraria Leia Bem, Avenida Batel, 1448. Preço do livro: R$ 31,00.

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