Pela Vida de um Amigo é preconceituoso remake de filme francês
São Paulo,01 (AE) - "Pela Vida de um Amigo" é o remake norte-americano de "Force Majeure", filme francês dirigido por Pierre Jolivet. Nos dois, a situação é idêntida. Três rapazes passam férias num país oriental - muito sexo e drogas, e um pouco de rock and roll. Dois deles voltam ao seu país natal. O terceiro fica para trás.
Anos depois, os que retornaram ficam sabendo que o companheiro fora preso pela posse de uma quantidade de haxixe que eles haviam comprado em sociedade. Foi condenado à morte e está para ser executado. Sua pena será comutada se os dois voltarem para assumir sua parte de responsabilidade no delito. O preço para salvar o amigo será apodrecer por alguns anos numa prisão do 3º Mundo. Você iria? Essa é a pergunta que move o filme.
Em "Pela Vida de um Amigo", Vince Vaughn e David Conrad são Sheriff e Tony, os dois que voltam para os Estados Unidos. Joaquin Phoenix é Lewis, que corre o risco de ser enforcado na Malásia por porte de drogas. Anne Heche faz Beth, a advogada que tenta convencer Sheriff e Tony de que vale a pena sacrificar três anos de vida para salvar a pele do companheiro.
A história é potencialmente interessante porque envolve um dilema moral, centrado em especial em Sheriff. A situação dele se complica ainda mais porque se sente atraído por Beth, a advogada. O romance entre os dois adocica um pouco a trama.
Clichês e chavões - É pena que, apesar do começo promissor, a história toda se vá transformando em um amontoado de clichês e termine num claro chavão preconceituoso. Por exemplo, em certo momento, observa-se a intrusão de um elemento estranho à trama. Uma repórter (Jada Pinkett Smith) sente o cheio de um bom furo de reportagem e decide forçar a divulgação da história, o que pode apressar a execução do prisioneiro. A "crítica" à imprensa sensacionalista é feita da maneira a mais tosca e caricata possível.
O outro dado é que, para a história funcionar, é preciso que haja clara oposição entre civilização e barbárie. Os três rapazes, vindos do "mundo livre", irão encontrar a tragédia num país violento e estranho, onde a simples publicação de uma reportagem incômoda pode desagradar a um juiz e fazê-lo mudar sua sentença.
Parece óbvio que um preconceito se constrói com um tanto de verdade, outro tanto de mistificação e algumas generalidades. Ninguém vai acreditar que um calabouço na Malásia seja um hotel de cinco estrelas, nem que a tolerância seja a qualidade mais bem distribuída deste mundo. Todo o problema está na maneira como a história é construída - reservando para o lado de cá o monopólio da virtude e associando o horror ao lado de lá, ao outro, não por acaso parte do mundo islâmico. Há algo de muito podre na concepção ideológica deste filme.





