Sílvio de Abreu estava cansado de escrever novelas. Tanto que o autor até havia anunciado uma aposentadoria precoce. Tudo por causa das críticas recebidas quando escreveu ''Torre de Babel'', novela marcada por polêmicas como traição, homossexualismo e drogas. Só que a promessa de Sílvio não durou mais do que dois anos. Ele acabou sendo seduzido pelo diretor Jorge Fernando a escrever novamente. E bem ao seu estilo: uma trama cômica, exibida no horário das sete, que o consagrou na televisão brasileira. Amanhã, estréia ''As Filhas da Mãe'', uma comédia rasgada parecida com outros sucessos do autor e também do próprio diretor como ''Guerra dos Sexos'' e ''Cambalacho''. ''Quando aceitei o convite do Jorginho, disse que precisava me divertir ao escrever esta novela. Graças a Deus, estou conseguindo'', avisa um aliviado Sílvio de Abreu.
Para criar a história de ''As Filhas da Mãe'', o autor escalou um elenco repleto de estrelas como Fernanda Montenegro, Tony Ramos, Raul Cortez, Cláudia Raia, Bete Coelho, Andréa Beltrão, Regina Casé, Reynaldo Gianecchini, Thiago Lacerda, entre outros. ''Realmente recebi carta branca'', orgulha-se o autor. A trama da nova novela das sete da Globo é centrada em Lulu de Luxemburgo, vivida por Fernanda Montenegro, e as suas três filhas Tatiana, Alessandra e Ramona, interpretadas respectivamente por Andréa Beltrão, Bete Coelho e Cláudia Raia. Elas brigam pelo resort do Jardim do Éden, que o pai Fausto Cavalcante, papel de Francisco Cuoco, deixou ao dar um imenso golpe em seus dois sócios: Arthur Brandão e Manolo, personagens de Raul Cortez e Tony Ramos. ''A impressão que me dá é que essa novela é de nossas vidas'', imagina o diretor Jorge Fernando, sem esconder o entusiasmo com o novo trabalho.
Cláudia Raia, por exemplo, aceitou o convite de primeira. ''Principalmente por ser uma trama cômica. É sempre uma oportunidade boa para o ator ousar'', acredita Cláudia, que viverá a transexual Ramona. Já Reynaldo Gianecchini vai interpretar o modelo Ricardo Brandão, filho do personagem de Francisco Cuoco. Depois de todo furor causado em sua estréia na época da novela ''Laços de Família'', Reinaldo se sente mais maduro para este novo trabalho. ''Agora, espero que as cobranças sejam menores também'', avisa.
A comediante Cláudia Jimenez, que pela segunda vez em sua carreira vai estar fazendo uma novela, acredita que o fato do autor ter conseguido reunir um elenco repleto de estrelas ajude a amenizar as cobranças individuais. ''Também tem a questão de só ter atores consagrados. Então, o clima fica muito mais prazeroso. Ninguém aqui não tem o mais o que provar'', enfatiza Cláudia, que na trama vai estar interpretando a governanta Dagmar Cerqueira. Francisco Cuoco, que vai estar fazendo uma rápida participação como o empresário Fausto Cavalcante, não esconde o desejo de permanecer na trama. ''Quem sabe ao longo da novela meu personagem não volte?'', insinua-se o ator.
O próprio autor Sílvio de Abreu ainda tem muitas dúvidas quanto ao futuro dos personagens. Isto se deve por uma razão nova na carreira do autor. Pela primeira vez, depois de escalar todo o elenco, que ele começou a criar os personagens e depois as próprias tramas. Foi assim principalmente com Fernanda Montenegro, que já havia manifestado seu desejo de não fazer mais novelas. Mas como Jorge Fernando seduziu Sílvio a voltar a escrever, o autor acabou convencendo Fernanda a voltar a atuar na televisão. ''Fiz lembrá-la de momentos marcantes que passamos juntos como em 'Guerra dos Sexos', por exemplo. Então, ela acabou aceitando'', completa o autor.
A dupla Sílvio de Abreu e Jorge Fernando realmente está com moral na Globo. Para produzir ''As Filhas da Mãe'', a emissora vem superando o orçamento normalmente dispensado numa novela. Cada um dos quase 200 capítulos previstos da trama de Sílvio de Abreu está orçado em R$ 110 mil. A novela ''Porto dos Milagres'', por exemplo, consome R$ 90 mil por capítulo. O alto custo, no entanto, tem algumas justificativas. Algumas cenas foram gravadas em cidades como Roma, Londres, Las Vegas e Los Angeles. ''Quando levamos a história para direção, a Globo entendeu perfeitamente estes custos'', explica Jorge Fernando.

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