Pela antimonotonia
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de novembro de 2013
Luana Borges<br>TV Press 
Juliana Didone não gosta de mesmice. E dar uma "chacoalhada" na carreira se tornou um objetivo de uns tempos para cá. Afinal, antes de voltar ao ar em "Pecado Mortal", estava há dois anos sem fazer novela a última foi "Aquele Beijo", em que interpretou Brigitte.
Desmotivada com a "calmaria", Juliana viu no término de seu contrato com a Globo, onde trabalhava há 10 anos, a oportunidade de mudar de ares ao aceitar a proposta de ir para a Record integrar o elenco de um folhetim de Carlos Lombardi. "Queria coisas novas, isso me rege muito. Não posso estar sempre no mesmo lugar, gosto de novas perspectivas", explica.
Na trama, Juliana encarna as gêmeas Leila e Maria Clara. Mas, por enquanto, só tem aparecido em cena na pele da primeira. A previsão é de que Maria Clara integre a história, de fato, a partir do capítulo 60 no momento, a personagem está em Paris e é citada no texto vez ou outra. "Ainda não recebi nenhuma cena dela. Estou ansiosa porque tive um preparo anterior de quem é essa personagem, de como são figurino e maquiagem. Está tudo pronto, só esperando o Lombardi dar o play", empolga-se.
Esta é a primeira vez que você interpreta um texto de Carlos Lombardi, um autor conhecido pelas tramas de ação, como é o caso de "Pecado Mortal". O que mais tem chamado sua atenção nessa experiência?
Eu nunca tinha feito novela do Lombardi, mas o que eu tenho sentido e que é maravilhoso é que não dá para cristalizar, deixar a personagem programada. A gente não sabe. A cada dia, ele dá informações novas e eu vou descobrindo como a Leila é. Em uma cena de tiroteio, por exemplo, vi que ela tem pitadas de histeria que eu nunca imaginei. É bom quando essas surpresas vêm e tiram você desse controle. A novela é dinâmica e bem ágil. Não tem tédio para a gente, que faz, e nem para o público.
Você protagonizou a temporada de "Malhação" que alcançou os maiores índices de audiência na história da produção. Mesmo quase 10 anos depois, ainda é lembrada pela Letícia, sua personagem na época?
Sim, bastante. É engraçado porque tem muito tempo e muitas pessoas ainda falam: "Você fez Malhação, né?". Tem gente que fala no passado, "Você era de Malhação", mas tem gente que fala no presente mesmo. Acho legal, tem um carinho. Foi uma personagem marcante. Acho que todo ator quer ter personagens marcantes. Que venham os próximos!
Depois de viver uma protagonista em "Malhação", você imaginou que outras protagonistas viriam nos trabalhos seguintes?
Eu era muito nova, tinha 18, 19 anos. Não criava expectativas do que iria fazer e de qual nomenclatura que isso ia ter, se seria protagonista ou antagonista. Não importa muito para mim. Eu quero papéis bons e desafiadores. Porque eu acho que é muito difícil fazer protagonista. Saindo de uma protagonista, a única coisa que eu não queria era fazer outra protagonista. Você sofre muito, trabalha muito, é a mocinha da história, sempre se dando mal e querendo seu amor. Mas se eu tivesse feito uma antagonista, eu também não ia querer fazer outra antagonista depois. Eu só não queria repetir o que já tinha feito.
Até que ponto o tamanho de uma personagem é relevante para você?
Que a personagem seja importante e que se desenvolva na história, sem dúvida. Eu só não me preocupo com o título porque não tem mais essa onda. Acho que os autores estão vendo que não funciona mais um casal que fica sem dar certo a novela inteira. Claro que existe, tem sua importância, mas não é a única coisa que acontece. Tem a parte cômica, tem aquele personagem que você nem imaginou que ia dar certo e cresce. O meu desejo é que sejam papéis bons, que tenham oportunidade de desenvolvimento e que sejam profundos. Agora, onde ele se encaixa, não importa. A gente está em uma era de tecnologia. Você vê a novela na hora que quiser na internet, tem um milhão de séries americanas. Então, se não for dinâmico a pessoa cansa. Acho que, se ficar oito meses na mocinha e no mocinho, ninguém aguenta. Eu falo por mim, como público, eu não aguento. Quero ver um monte de coisas acontecendo.


