Pedro Luís e Lenine quebram jejum
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segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Caio Jobim<br> Folhapress 
Houve momentos entre abril e maio deste ano em que Lenine chegou a passar 20 horas por dia em estúdio. Ele estava dividido entre a gravação de ''Labiata'' (Universal), seu sexto trabalho solo, e a produção de ''Ponto Enredo'' (independente), disco que marca a volta de Pedro Luís e a Parede à ativa.
O grupo carioca vinha se dedicando a outros dois projetos: um com Ney Matogrosso, e o outro, as festas e desfiles do Monobloco, o maior fenômeno de público da revitalização do Carnaval de rua do Rio. Gravados praticamente ao mesmo tempo, ''Labiata'' e ''Ponto Enredo'' estão sendo lançados agora. ''O meu trabalho está tão imbuído de prazer que eu acabo me iludindo, achando que não estou trabalhando, e passo horas e horas naquilo, pensando que estou me divertindo. Era de manhã com a Plap (Pedro Luís e a Parede) e de tarde até a noitinha fazendo o meu (disco)'', lembra Lenine.
Pode parecer coincidência essa confluência entre a obra de Lenine e a da Plap, mas para o pernambucano é uma questão de ''sincronicidade''. Em 1997, enquanto ele lançava ''O Dia em que Faremos Contato'', seu primeiro trabalho solo, Pedro Luís e a Parede estreavam em disco com ''Astronauta Tupy''. A mistura de música pop com acento brasileiro em canções como ''Caio no Suingue'', dos cariocas, e ''Que Baque é Esse?'', do pernambucano, conquistou o público.
De passagem pelo estúdio, Lenine participou de ''Chuva de Bala'' fazendo intervenções de voz e percussão de boca. Embora a colaboração não tenha sido creditada, Pedro Luís lembra que ela não se limitou a essa faixa. ''Em 'Tudo Vale a Pena', que está nesse primeiro disco, Lenine tocou violão. Eu comecei a me aproximar dele nessa época. Desde lá, nos discos dele ou nos nossos, a gente está junto'', conta o músico.
'Correndo por fora'
No ano passado, quando a Plap resolveu gravar um novo disco, os músicos convidaram Lenine para fazer a produção. ''É um cara que a gente conhece e tem uma escola parecida com a nossa. Também veio correndo por fora do mercado, fazendo o som dele do jeito que ele acha que é'', diz Pedro Luís. Primeira (e única) música composta por Pedro e Lenine, ''Quatro Horizontes'' foi feita para a trilha sonora do filme ''O Diabo a Quatro'', de Alice Andrade, no qual aparece em duas versões: uma em ritmo de maracatu e outra em andamento de choro. Em ''Ponto Enredo'', reaparece como samba.
A guitarra de Leo Saad, incorporado ao grupo para o disco e para os shows, se faz presente em todas as faixas. Para os integrantes da banda, isso não significa que ''Ponto Enredo'' seja um disco mais pesado ou roqueiro. Assim como a predominância de sambas no repertório não faz do compositor Pedro Luís um sambista. Lenine fez a produção como se fosse ''mais um integrante da banda'' e batizou o disco a partir do título de uma das canções. ''Eu achava que ''Ponto Enredo' era a síntese, porque faz referência às duas coisas que permeiam o som da Plap: samba e macumba'', diz.
Urgência
O disco novo de Lenine foi criado com um sentido de urgência. As 11 músicas foram compostas em 15 dias, durante o mês de março, em um processo totalmente diverso do ocorrido em trabalhos anteriores. ''Eu fazia uma música à noite, no dia seguinte gravava uma pequena base com ela no estúdio, voltava para casa e fazia uma outra música'', diz.
Na hora de revestir de arranjos as composições, Lenine optou por fazê-lo com os integrantes da banda que o acompanha há 15 anos. Somente músicos com quem mantém uma relação próxima são como convidados. Entre eles, a bateria da Parede em ''A Mancha'' e ''É Fogo''. Esta, segundo Lenine, é a união do som dele com o do ''Rio da rua, suburbano''.
Para o compositor, ''Labiata'' é um desdobramento de seus dois últimos trabalhos: o sentido de banda que o ''Acústico MTV'' (2006) fortaleceu entre ele e os músicos que o acompanham somado à liberdade e ao desprendimento em estúdio que ele experimentou enquanto fazia a trilha sonora do espetáculo ''Breu'' (2007), balé do Grupo Corpo. ''É um disco todo na primeira pessoa, e o foco é na natureza. Mesmo as canções em que o foco não é explícito falam sobre a natureza humana'', afirma Lenine.


