A experiência é simples. Primeiro apanhe uma pedra. Nem muito grande, nem muito pequena. Em seguida, olhe para o céu e jogue a pedra para cima, bem alto.
  O resultado não é tão simples assim. Se você não sair de baixo, receberá uma pedrada na cabeça. Como conseqüência, dor, ferimento, sangue.
  A partir dessa experiência é fácil entender que não basta jogar uma pedra para o alto, é preciso aprender a sair de baixo. Na literatura existem dezenas de histórias que tocam no assunto.
  Uma das mais conhecidas narra a aventura de um aprendiz de feiticeiro que, na ausência do mestre, decide realizar algumas magias. Algo como transformar uma simples vassoura numa eficiente carregadora de água.
  Ele consegue seus objetivos, mas os problemas começam quando a vassoura começa a alagar a casa de tanto carregar água. Sem saber como reverter o feitiço, o aprendiz passa por maus bocados. Algo parecido com uma pedra caindo sobre sua cabeça. A situação se resolve apenas com a interferência do mestre.   A história tornou-se conhecida através da adaptação para desenho animado realizada por Walt Disney em ‘‘Fantasia’’, com Mickey Mouse no papel do aprendiz. O filme, de 1940, desprovido de diálogos, fazia da música erudita um componente importante da animação.
  A adaptação foi baseada num antigo poema do escritor alemão J. W. Goethe (1749 n 1832). Goethe, por sua vez, criou o texto inspirado numa história popular de tradição oral germânica.
  ‘‘O Aprendiz de Feiticeiro’’, escrito por Goethe em 1797, acaba de receber uma bela edição através da Editora Cosac Naify. Além do poema em sua forma original, a obra traz ilustrações do artista mineiro Nelson Cruz.
  A surpresa do livro não está nos versos de Goethe, mas nas imagens que realizam uma leitura inesperada da narrativa. Nelson Cruz insere a realidade do ambiente urbano brasileiro no interior da magia da história. O aprendiz assume a forma de garoto normal, habitante de um bairro qualquer, que precisa entender que uma pedra lançada ao céu pode cair sobre sua cabeça.

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