A novidade pop do momento tem 23 anos, defende a cultura da periferia e brada contra o neoliberalismo. O cantor e compositor Wado está lançando um CD com título pretensioso: ‘‘O Manifesto da Arte Periférica’’. O disco saiu pela Dubas com distribuição da Universal.
Wado nasceu em Santa Catarina, mora em Alagoas – onde divide as atenções da cena pop ao lado de Sonic Júnior e Mopho – e foi consolidar o seu trabalho divulgando-o no Sudeste.
O suingue de Wado lembra o Tropicalismo e carrega os ruídos que compõem a ambientação contemporânea, meio fragmentada pela diversidade de cruzamentos. O som traz influência de Jorge Ben, com alguma sonoridade do rock das décadas 60/70, um flerte com o psicodelismo e uma pegada soul.
Wado apedreja o neoliberalismo como propagador de desigualdades. A periferia paga o ônus, o centro recebe as benesses. O ‘‘manifesto’’ celebra a cultura periférica para que ela alcance o centro exibindo toda sua diversidade.
Em ‘‘A Tragédia da Cor’’ ele canta: ‘‘(...) eu escutei um tiro, a bala/ saiu da ponta da caneta do/ ministro, do deputado,/ do senador que nunca/ abre mão da sua corrupção/ diária, rotineira (...)’’. Em ‘‘Alagou As’’, Wado reafirma: ‘‘(...) levanto esta bandeira, a bandeira/ da diversidade, dos compositores/ de bairros distantes, levo este/ estandarte (...)’’.
Musicalmente, o disco é menos revolucionário do que pretende. Mas, afastadas as pretensões, Wado traz criatividade no tratamento, optando pelo tradicional e combatido trio baixo/guitarra/bateria, mostrando que o formato ainda dá caldo. E, apesar da pecha de ‘‘manifesto’’, as letras não são desinteressantes.
No fiel da balança, Wado aparece com uma proposta definida (periferia x neoliberalismo), uma sonoridade capaz de agregar samplers com suingue e ritmos regionais, sem esquecer o pop. Pontos suficientes para tornar o CD em um lançamento acima da mesmice cotidiana da indústria fonográfica.

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