Pedalar é um jeito charmoso de conhecer Paris
Pedalar é um jeito
charmoso de conhecer Paris
Guias especializados fornecem as bicicletas e mostram um lado tranquilo da Cidade Luz que poucos turistas conhecem
Antonella Kann
Especial para Agência Globo
Antonella Kann
Pont Du SullyÉ um dos pontos turísticos que se pode conhecer pedalando por Paris. Ao fundo, fica o terraço do apartamento de PompidouExplorar Paris longe do incessante burburinho de gente e do trânsito barulhento, em pleno auge da Copa, deve ser o sonho de qualquer turista. Fazer passeios em lugares tranquilos, onde é mínimo o fluxo de automóveis e em invés das buzinas se ouve o canto dos pássaros - e isto a poucos quarteirões da Bastille - parece mesmo uma imagem romântica do passado.
Mas não é. Para quem quer se dar o privilégio de descobrir, a capital francesa ainda conserva aspectos de um charmoso vilarejo do interior, com alamedas arborizadas e silenciosas, com poucos carros, onde os moradores têm a liberdade de se instalar nas calçadas defronte às suas casas ajardinadas e sair do anonimato para conversar com os seus vizinhos enquanto apreciam o vai-e-vem dos pedestres.
Mas só existe um meio de entrar em contato com esta faceta da Cidade-Luz: andando de bicicleta. Nos arredores de Paris, onde os ônibus de turismo sequer conseguem manobrar, existem avenidas e ruas que foram poupadas do congestionamento de automóveis e, consequentemente, deixam à tona um ambiente no qual os habitantes vivem como no interior, e onde reina o silêncio e não há badalação.
Sob a liderança de competentes guias-intérpretes, que dominam entre si mais de cinco idiomas e têm formação universitária, os turistas podem selecionar um dos inúmeros circuitos que fazem parte da programação (leia no pé desta página).
Um dos roteiros mais originais começa às 6h dos domingos. É um passeio que propõe mostrar a capital literalmente sob outra luz. Durante três horas, os aventureiros percorrem cerca de 22 quilômetros em direção aos Champs Elysées, Arco do Triunfo e Trocadero.
A escuridão também não espanta os adeptos da bicicleta e pedalar à noite promete agradar. A programação que começa às 20h30 é feérica. Toda a cidade se modifica sob as luzes artificiais: os Halles adquirem uma forma que mescla o moderno com o antigo ; a iluminação do Carrossel do Louvre é uma obra-prima de onde é difícil tirar os olhos.
Os grupos são formados no máximo por 25 pessoas, encabeçados pelo guia-intérprete. O pelotão segue em fila indiana e há inúmeras paradas pelo trajeto, seja para descansar, tomar um café, comer um sanduíche no quiosque da esquina ou assistir a uma banda de jazz em pleno coreto de um bairro de artistas. Mas, na maioria das vezes, as pausas são propositais para que o guia possa comentar fatos ocorridos no passado, contar uma anedota a respeito do local, apontar detalhes de um monumento e fazer reflexões até do bairro ou de um determinado conjunto arquitetônico.
Ninguém precisa ser um atleta para se aventurar nos passeios em duas rodas e mesmo quem tem pouca prática não encontra dificuldade em manusear o equipamento. As bicicletas são novas, de qualidade, e têm 18 marchas. Embora a programação dure três horas, o ritmo da pedalada é lento, obedecendo uma média de 8 km/hora.





