Peculiaridades plurais
Apesar de serem produzidos no Vale do Douro com uvas de diversas castas, os vinhos fortificados portugueses desta região ficaram popularmente conhecidos como do Porto. Isso porque a produção passou a ser exportada da cidade do Porto para o resto do mundo a partir do século XVII.
"Embora todo os vinhos do Porto sejam os fortificados mais populares no Brasil, existem outros tão bons quanto, como é o caso do Jerez, produzido na Espanha, o Marsala, na Itália, e o Madeira, na ilha portuguesa de mesmo nome", salienta o somellier Eduardo Rizzi Valença.
O Jerez (em catelhano) ou xerez (pronúncia brasileira) citado por ele é típico do sul da Espanha. "Esse fortificado possui duas versões. O fino, que é bem seco, e o cream, bastante adocicado. O Jerez tem uma peculiaridade que é envelhecimento no sistema solera, em que o vinho é armazenado em barris. A bebida é passada dos barris de cima para outros de baixo num processo que leva anos. E os barris nunca são totalmente esvaziados. Isso faz com que um vinho novo absorva aromas e sabores de restos de outros extremamente antigos, de séculos atrás, garantindo um sabor inigualável", detalha Valença.
Já o italiano Marsala é produzido na cidade de mesmo nome, que fica na Sicília, Itália. "É tipo Porto, só que italiano", resume o somellier. Valença destaca que o consumo de vinhos fortificados se encaixa perfeitamente nos efeitos benéficos à saúde atribuídos ao vinho. "O consumo de um cálice por dia faz bem ao coração e garante uma boa noite de sono se for ingerido à noite devido ao alto teor alcoólico", aconselha. (M.R.)





