PEÇAS DE MUSEU VÃO PARAR EM DEPÓSITO
Prédio do Museu David Carneiro, em Curitiba, será demolido em poucos dias e o acervo, considerado valioso, vai para um depósito
Arquivo pessoalA coleção do Museu David Carneiro foi adquirida ao longo de toda a vida do historiador paranaenseArquivo pessoalO pelourinho de Paranaguá, onde os escravos eram acorrentados, foi doado à prefeitura da cidadeAcervo pessoalEntre as peças de relevância histórica estão a armaria, uniformes, pinacoteca, móveis e objetos pessoais da época do Império, da República, da Revolução Federalista e de CuritibaAlbari Rosa/ Arquivo FolhaEmbaladas, as peças vão para um depósito à espera de um destino mais digno
De Curitiba
As quase 4 mil que compõem um dos maiores museus históricos particulares da América do Sul, o Museu David Carneiro, em Curitiba, estão embaladas e prontas para serem transportadas para um depósito. O prédio do museu, construído na década de 50, está com alvará de demolição expedido.
O acervo, composto por objetos referentes à época do Império e da República - mais de 2 mil -, está há mais de três anos amontoado numa sala do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). As peças, que ainda estão no prédio, dizem respeito, principalmente, à História do Paraná, em especial à Revolução Federalista, às tribos indígenas do Sul do País e a Curitiba.
De interesse internacional, os objetos do Império e da República seriam colocados à venda em leilão, em 1996, em São Paulo. Mas o Iphan impediu a realização da venda argumentando que a parte tombada não poderia ser comercializada avulsa. A venda de peças tombadas só pode acontecer em conjunto, ou seja, toda a armaria, a pinacoteca ou qualquer outra coleção. Na época do leilão vieram ao Brasil interessados de diversos países do mundo, em especial da América Latina.
Como o prédio do museu, à Rua Comendador Araújo, 531, foi vendido pelo Banco do Brasil para um consórcio de empresas da construção civil, as peças têm que sair do local. Os herdeiros do historiador David Carneiro elaboraram um projeto para a Lei Rouanet de Incentivo à Cultura que foi aprovado, mas não conseguiram captar os recursos, nem em grandes empresas privadas. Escritórios especializados em captação de verbas estão tentando, há mais de um ano, conseguir a comercialização, sem sucesso.
As empresas que compraram o terreno com o prédio do museu, a casa do historiador David Carneiro (em estilo português, construída na década de 40), e mais outra área vizinha, têm planos para o local e exigem que as peças sejam removidas o mais rápido possível.





