Peças de museu começam a ser transferidas
Começou ontem a retirada das peças do Museu David Carneiro, em Curitiba. Prédio que as abrigava será demolido
José SuassunaAs grades da antiga cadeia de Curitiba, do século XIX, que compõem o acervo, foram as peças mais difíceis de serem carregadasJosé SuassunaPor serem objetos ou muito frágeis ou de difícil transporte, a transferência deve levar três dias para terminar
De Curitiba
A retirada das peças do Museu David Carneiro, em Curitiba, começou a ser feita ontem de manhã. Cerca de 1.900 objetos, embalados e fotografados, estão sendo levados para um depósito da própria família Carneiro.
Por motivo de segurança, os herdeiros evitam divulgar o endereço onde as peças ficarão armazenadas. Não foi feito seguro e nós não temos como garantir a integridade do acervo, esclarece Heloisa Carneiro, neta do historiador.
O prédio, de 1,2 mil metros quadrados, à Rua Comendador Araújo, 531, será demolido. O terreno foi adquirido por um consórcio de empresas da construção civil e o projeto é erguer três prédios no local. Apenas a casa onde viveu o historiador deve ser preservada.
O historiador paranaense David Carneiro começou a colecionar peças históricas aos oito anos. O prédio do museu foi construído em partes, à medida em que o acervo ia aumentando. No local havia uma fábrica de erva-mate, que foi destruída por um incêndio no começo do século.
Todas as vitrines que abrigavam as peças foram mandadas fazer sob medida. Muitas, eram embutidas nas paredes, com iluminação interna. O pelourinho de Paranaguá - que foi doado pela família -, ficava numa sala especial, numa das entradas do museu. O próprio historiador dedicou a vida comprando as peças, pesquisando, estudando e escrevendo. Ele mesmo abria e mostrava o museu, contando a História do Brasil, do Paraná, da Revolução Federalista e de como conseguiu cada peça.
O Centro Positivista do Paraná também funcionava no mesmo prédio. Para as conferências positivistas havia uma sala com 88 lugares e uma capela com todos os 13 bustos dos grandes tipos da Humanidade: Moisés (teocracia), Homero (poesia antiga), Aristóteles (filosofia antiga), Arquimedes (ciência), César (civilização militar), Carlos Magno (civilização feudal), Dante (epopéia moderna), Gutemberg (indústria moderna), Shakespeare (drama), Decartes (filosofia moderna), Frederico - O Grande (política moderna), Bichat (ciência moderna) e Heloisa, de Abelardo (representado a mulher).





