Peça recupera tradição indígena
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de agosto de 1998
Zeca Corrêa Leite 
Deus criou o homem com duas orelhas e uma boca, para escutar mais do que falar. O ensinamento vem do Deus Tupã, segundo rezava uma lenda que corria entre os índios tupis-guaranis. Essa lenda transformou-se na peça teatral A Lenda das Duas Orelhas, que estréia hoje (sábado), às 15h30, no Teatro Lala Schneider.
O texto é de Rogério Bozza. Ele explica que quando decidiu-se a montar a peça, pensava unicamente num entretenimento às crianças. Porém, à medida que as pesquisas e os ensaios iam amadurecendo, impressionou-se cada vez mais com a riqueza do universo indígena, totalmente desconhecido da civilização branca.
A cada passo tanto eu, como os demais membros da equipe, nos apaixonamos por todas as lendas, riquezas, sabedorias, encantamento que nos ligam diretamente aos nossos índios, aqueles que são, sem sombra de dúvida, os verdadeiros brasileiros.
José Plínio, diretor do espetáculo, afirma que A Lenda das Duas Orelhas deu-lhe a oportunidade não só de conhecer os costumes e as tradições indígenas, como admirar o espírito comunitário desse povo. Para eles a terra é de todos, a pesca também. E a forma de educar os filhos? Deveriam dar aulas a nós. Acho mesmo que os índios é que deveriam nos catequizar.
A montagem traz no elenco Inezita de Mary, Luís Góes, Fábio Silvestre, Flávia Martins e Judah Gilberto. A direção musical é de Rosi Greca, cenários e figurinos de Paulo Maia e a iluminação de Cássio Murilo.


