Peça proibida pela igreja reestréia em outro local
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quinta-feira, 03 de junho de 1999
Zeca Corrêa Leite 
Miz Mor, a peça que teve carreira tão veloz como um relâmpago, numa capela de Curitiba, sendo proibida pelo arcebispo de Curitiba, Dom Pedro Fedalto, de abrigar-se nos tetos católicos, encontrou um novo local onde ser apresentada: estréia hoje, às 21 horas, na Casa do Estudante Universitário.
Depois da proibição, atores e diretor fizeram um protesto em plena Boca Maldita, em Curitiba. Eles se amarraram em cruzes, como se estivessem crucificados, e reclamaram contra a falta de liberdade de expressão e contra a incompreensão da Igreja.
Arquivo FolhaNo mês passado, os atores fizeram um protesto na Boca Maldita contra a censura à peçaO texto, baseado nos Salmos bíblicos, faz uma reflexão sobre a condição humana. As suas ações e as consequências que elas trazem, nem sempre devidamente questionadas. Três atores comandam o espetáculo, usando linguagem figurada para as intenções do diretor Guido Salton - que é colocar na berlinda o homem e sua complexidade.
Os personagens têm seus corpos cobertos de lama, que poderia traduzir-se numa referência direta à explicação bíblica da origem da humanidade, podendo ser entendido também como a total ausência de classes, cores e raças. Ao mergulharem numa banheira de água limpa, seria como um batismo, a lavagem do peso e das dores.
Foi justamente a cena da purificação que escandalizou olhos e mentes conservadores, na temporada passada. Como os atores - Arnaldo Silveira, Geraldo Siqueira e Flávio Spegiorin - mostravam-se vestidos apenas de tapa-sexo, as nádegas tiveram o mesmo efeito de nu frontal. Para evitar novas dores de cabeça, o diretor achou prudente vestir o elenco com calções, anulando novas críticas por alguns centímetros de pano. Outra providência do diretor foi também cobrir os santos do altar.


