Pandeiro-de-couro, conga, bongô, repique-de-mão, caixa, repinique... estes são apenas alguns dos instrumentos que o percussionista londrinense André Vercelino, 30 anos, tocará no show de Elza Soares - ''Beba-me Ao Vivo'', que abrirá hoje o circuito musical do Cabaré do Festival Internacional de Londrina (Filo). Descoberto pelo músico Chico Chagas, então diretor musical dos shows da cantora, Vercelino ingressou na banda de Elza Soares no final de 2006, durante os últimos shows da turnê de ''Do Cóccix até o Pescoço''. Em 2007 participou da gravação do primeiro DVD da carreira de Elza Soares (''Beba-me Ao Vivo'') que agora excursiona cumprindo agenda no Brasil e exterior. ''A banda (composta de nove músicos) é muito amiga e a Elza é bacana e compreensiva. É um grande aprendizado'', comenta.
Radicado no Rio de Janeiro há três anos, Vercelino tem tocado com nomes que despontam no cenário musical como Mariana Baltar, Letícia Tuí, Garrafieira, Joana Duá, além de tocar no circuito de samba e choro da Lapa. ''O Rio de Janeiro tem tradição na percussão e é fácil encontrar músicos que admiro - acabo intuitivamente aprendendo vendo-os tocar. Fui bem recebido aqui e sempre aparecem novos trabalhos'', afirma Vercelino.
O apreço do percussionista pela música vem de berço. O pai e o irmão tocam violão. O avô paterno, cavaquinho, e o materno, acordeon. ''Meu pai sempre integrou rodas de samba e choro e comecei a tocar percussão em uma banda dele'', relembra. Vercelino ainda fez aulas de violão, piano e bateria, mas foi com a percussão que ele descobriu seu talento musical, tendo hoje, dentre os mais de 20 instrumentos que toca, predileção pelo pandeiro. ''Tinha um pouco mais de 20 anos quando comecei a tocar percussão e muito do meu aprendizado credito aos professores das oficinas de choro do Festival de Música'', recorda. Como aluno das oficinas, Vercelino tocou com nomes como Joel Nascimento, Josimar Carneiro, Luis Otávio Braga, Jaime Vinholi, que o incentivaram a tentar a vida de músico no Rio de Janeiro.
A dificuldade em viver exclusivamente da música motivou a mudança de Vercelino para a capital do samba. ''Londrina não tem tradição em percussão. Muitas vezes o percussionista enfrenta o problema de espaço porque a percussão geralmente integra bandas maiores'', explica. Contudo, o músico ressalta que toda a formação musical é pé-vermelha. Compara a estréia no Cabaré do Filo integrando a banda principal a um sonho. ''Ainda não estou acreditando. A expectativa é grande. Prestigiei quase todas as edições do festival. Acho que o Cabaré é um lugar que a maioria dos músicos deseja tocar'', comemora.
Vercelino tem uma extensa lista de nomes da percussão que admira - Marcos Esguleba, Jaguara, Trambique, Ovídio, Marcelino Moreira, Marcelo Pizotti, Paulino Dias, Tiago Lima, Marcos Suzano, Naná Vasconcelos, Simone Soul, Lan Lan... O aperfeiçoamento musical é diário, dada a diversidade de instrumentos e, por consequência, de técnicas. ''Costumo estudar um instrumento a cada três dias. Há um ditado que diz que quando o músico esquece o instrumento um dia o instrumento o esquece dois dias. É um trabalho árduo e diário'', finaliza.

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