Pé na estrada: 25 países em 33 meses
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2005
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Foram 33 meses morando pelo mundo e conhecendo mais de 25 países. Aos 25 anos, o londrinense Eduardo Filgueiras dos Reis enriqueceu seu currículo com uma viagem fascinante. Formado em Marketing e Propaganda, ele perdeu o emprego e em janeiro de 2002 partiu para uma experiência única. O destino inicial foi os Estados Unidos e a intenção era fazer um curso de pós-graduação. Ele não estudou nem ficou apenas na terra do Tio Sam. Trabalhando na prestação de serviços, Eduardo ganhava dinheiro para viajar e descobrir novas culturas, arquiteturas, gastronomias, além de fazer novos amigos. ''No primeiro mundo, você pode ser garçom que dá para se sustentar bem'', comentou.
Uma poupança de US$ 3 mil deu início ao passeio, rumo à San Diego, na Califórnia. Lá, Eduardo trabalhou como entregador de pizza e, após seis meses de residência no local, partiu para Londres com US$ 3,5 mil e ''uma mala de roupas a mais''. Na Inglaterra, a situação não foi tão tranquila. Um quiosque de sopa e uma locadora de vídeo foram os locais onde Eduardo trabalhou. ''Em Londres tudo é muito caro. Por isso eu não saía todos os dias. Mas a cada dois meses eu fazia uma viagem'', contou.
''Tinha a intenção de ficar só nos EUA, não sabia que ia fazer essa aventura.'' Foram quase dois anos morando na Europa até que Eduardo partiu para seu destino mais exótico: a Tailândia. ''Lá não precisei trabalhar porque é tudo muito barato e me hospedei em um hotel.'' Se adaptar aos costumes do povo tailandês foi um desafio. ''Tudo é completamente diferente do que a gente vê. A partir da primeira semana você aprende a pedir pratos sem pimenta'', destacou.
Os quase três anos de viagem marcaram a vida de Eduardo. Ele esteve presente na noite do Oscar em 2002, visitou templos no Camboja, pirâmides no Egito e fez amigos pelo mundo todo. ''Acho que todas as pessoas do mundo têm que ficar pelo menos um ano fora, em outro país, para abrir os horizontes, conhecer uma cultura diferente'', aconselhou. Ele recordou de um momento extremamente significativo em sua aventura. ''Vivenciei a passeata contra a guerra do Iraque. O que as pessoas viam pela televisão eu estava vivendo e isso aí ninguém paga'', declarou.
Belas paisagens, como as praias tailandesas e o Grand Canion, ficaram guardadas na memória. Mas a tragédia ocorrida no fim do ano passado na Ásia deixou Eduardo assustado. ''Fui salvo do tsunami por três meses. Eu passava todos os dias em uma das praias atingidas. Não gosto de pensar nisso'', afirmou.
Apesar da longa viagem, Eduardo ainda pretende conhecer outros lugares. ''Preciso deixar algum para ir em lua-de-mel'', brincou. Entre os destinos almejados estão Grécia, Rússia, China e Austrália. Antes de morar fora por tanto tempo, Eduardo já tinha viajado para a Geórgia e África do Sul pelo programa de intercâmbio do Rotary Club.
Filho de uma professora de inglês, idioma não foi impecilho para a comunicação. Eduardo destacou ser imprescindível dominar o inglês antes de se aventurar pelo mundo.
A volta para o Brasil, em setembro do ano passado, teve momentos de tristeza. ''Fiquei meio deprê, estava acostumado a uma cidade onde tudo acontece e Londrina continua pequena. Sinto falta da independência que eu tinha de poder ir para qualquer lugar a qualquer hora'', confessou.


