''Paz e amor''
Os gaúchos do Nenhum de Nós chegam firmes e fortes ao 11º ano de carreira com o lançamento do disco Paz e Amor, talvez o mais elaborado em toda a história da banda. Como sempre, o trabalho é feito em cima de temas e neste foi escolhido o velho ditado hippie Paz e Amor, mas com um novo tratamento. Optamos por algo mais individualista, afirma o baixista e vocalista Thedy Corrêa.
O disco é o trabalho de estréia do tecladista Sacha Amback (ex-Lulu Santos e outros) como produtor. Foi gravado no Rio de Janeiro e mixado no País de Gales por Bave Charles, que produziu a banda Charlatans, um referência no recente trabalho do Nenhum de Nós. Por tudo isso, e também pelas participações especiais de Ney Van Soria e Ney Lisboa, o disco tem, ao mesmo tempo, uma característica universal e gaúcha. É um cacoete que a gente não consegue perder, admite Thedy.
Por telefone, de Porto Alegre, ele deu a seguinte entrevista à Folha sobre o lançamento de Paz Amor.
Neste disco vocês optaram por letras falando de amor ou coisas mais amenas. Foi para dar unidade ao nome do disco?
Thedy Corrêa - Nós somos o tipo de banda que ainda acha que pode ter uma idéia principal. Fechamos primeiro com uma idéia, o que não quer dizer que o trabalho seja puramente conceitual. Quando decidimos o tema, estávamos com 40 músicas possíveis de serem gravadas. Com o nome definido, caiu para 20 e, destas, escolhemos 11.
Por que Paz e Amor?
Thedy Corrêa - É um slogan dos anos 70, associado à coisa coletiva, hippie. Mas abordamos o tema com outro enfoque, com um princípio mais individual. As músicas falam das ansiedades e amarguras do indivíduo, talvez a discussão mais apropriada na nossa cabeça. É preciso primeiro o equilíbrio pessoal para depois poder contribuir para o grupo e a sociedade. Tem que resolver primeiro o indivíduo e depois a sociedade. Não tem nada a ver com o lado místico, com auto-ajuda.
E como são escolhidos o tema e as músicas dentro do grupo?
Thedy Corrêa - Fazemos isso com muita discussão entre o grupo. Definido o tema, vamos escolhendo as músicas. Tinha música sobre futebol, que a gente fazia no show e era muito bem aceita, mas que ficou de fora porque não tinha nada com o tema. A música Tão Diferente, a gente já fez pensando no disco. Enfim, a gente acha que disco pode ter história, com começo, meio e fim. Pelo que pesquisamos, nenhum artista havia usado o nome Paz e Amor, pelo menos aqui no Brasil.
Os arranjos também estão mais caprichados, com orquestra de cordas. Foi para combinar com o tema?
Thedy Corrêa - No disco passado, trabalhamos com o folclore gaúcho e ficamos bem caracterizados como banda do sul. Agora, trabalhamos com a intenção de universalizar um pouco mais o nosso som. Por isso o disco tem bastante guitarra, com muitos riffs, arranjos de cordas, algumas coisas eletrônicas, mas uma eletrônica muito estudada, que vem sendo pensada há um ano. Os arranjos originais tinham mais dose de eletrônico, depois fomos enxugando.
Vocês quiseram fugir um pouco do rótulo de banda gaúcha, regional, mas, ao mesmo tempo, gravaram música do Ney Lisboa, do argentino Charly Garcia e também tem a participação de Nei Van Soria...
Thedy Corrêa - É, este é um cacoete que a gente não consegue perder. Já temos nossa marca de banda do sul. O Samuel Rosa, do Skank, comentou que reconheceu a nossa música nos primeiros acordes, antes mesmo de entrar a voz. É um jeito que marca, um estilo.
Por que vocês escolheram para mixar o disco no País de Gales e por Bave Charles, que produziu o Charlatans?
Thedy Corrêa - A gravadora Paradoxx deu a idéia de mixar fora para usar melhores recursos, não que aqui não tenham, mas, por incrível que pareça, é que aqui no Brasil são bem mais caros. Quando pesquisamos, queríamos algo ligado ao rock inglês. Quando veio o nome de Bave, adoramos, porque o Charlatans é uma banda que a gente gosta muito. Foi tudo incrível e as coisas se casaram muito bem, tudo foi batendo nas agendas de todo mundo. Contando do dia que entramos no estúdio até a mixagem ficar pronta, foram 25 dias corridos. Foi um recorde.
E como foi a produção de Sacha Amback?
Thedy Corrêa - Foi a primeira produção dele. Conheci o Sacha quando estávamos gravando na BMG e ele era tecladista do Lulu Santos e estava gravando no estúdio da frente. Nos conhecemos, ele gravou com a gente e ficamos muito amigos. Quando surgiu a oportunidade deste disco pensamos logo no nome dele que já nos conhece.
Faz tempo que vocês não vêm tocar no Paraná, por quê?
Thedy Corrêa - Nós temos um público forte no Paraná e queremos retomar nosso trabalho aí. Estamos desde 93 sem fazer show no Paraná. Queremos voltar agora e este é um dos objetivos nossos. Tenho uma irmã que mora em Curitiba e gosto muito da cidade.ReproduçãoNenhum de Nós: músicas do novo disco falam das ansiedades e amarguras do indivíduoLuiz Claudio Oliveira





