Paulo Vieira diz que fazer rir nesse momento é missão
Humorista diz que no meio de tantas notícias ruins “a pessoa não tem que fazer comédia, tem que fazer milagre”
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terça-feira, 16 de junho de 2020
Humorista diz que no meio de tantas notícias ruins “a pessoa não tem que fazer comédia, tem que fazer milagre”
Karina Matias/ Folhapress 
São Paulo - Dia desses, Paulo Vieira teve um sonho estranho. "Alguém me ligava e falava: a gente vai gravar no Projac hoje. Fiquei que nem um doido. Eu chegava lá e as pessoas estavam distantes, longe umas das outras, e falando meio que gritando. Freud explica", conta o comediante, aos risos.
Na vida real, Vieira não sai de casa nem para ir ao mercado há mais de um mês. Também ainda não sabe quando poderá voltar a gravar nos Estúdios Globo. Mas, apesar do isolamento social, a quarentena tem sido de muito trabalho para o humorista.
Vieira acaba de estrear um quadro no Fantástico, faz esquetes para o Zorra, prepara um novo projeto para o Globoplay e grava os podcasts dos programas Fora de Hora e da Escolinha do Professor Raimundo – como a gravação dos humorísticos não é possível, eles terão episódios inéditos em áudio.
Além de tudo isso, ele já escreve a segunda temporada do Isso 'É Muito Minha Vida'. O programa não será mais apresentado dentro do Se Joga, como aconteceu na primeira temporada, mas Vieira afirma que seguirá na grade da Globo. "O programa continua, estamos só caçando uma casa para ele", diz em entrevista ao F5.
Quando a quarentena começou, em meados de março, Vieira revela que ficou sem trabalhar por duas semanas e "foi desesperador". Ele apresentava o humorístico Fora de Hora, que teve de ser interrompido, e estava em um momento de ascensão dentro da Globo. "Do nada, veio uma coisa que me obrigou a parar, fiquei meio ansioso em casa", conta.
Por isso, ele afirma que se sente muito feliz em poder voltar ao ar. "É uma coisa que com toda a certeza vou contar para os meus filhos."
Para Vieira, fazer humor e levar um pouco de entretenimento às pessoas no meio de tantas notícias difíceis é uma missão neste momento. "E é uma missão no sentido mais humano da palavra, no sentido de que é difícil, é sacrificante. Até brinquei com o Adnet [Marcelo] esses dias, a pessoa não tem que fazer comédia, tem que fazer milagre [...] Cada riso que a gente arranca é um milagre que acontece."

Na visão do comediante, em meio à pandemia e à necessidade do isolamento social, a cultura e a arte ganharam mais relevância, assim como a importância da imprensa e da ciência. Os três setores, segundo destaca, estavam sendo descredibilizados por uma parcela do país. Mas, diante de tudo o que aconteceu no mundo, voltaram a ser valorizados.
"Acho que as pessoas entenderam a importância não só do comediante, mas do artista na vida delas, entenderam a importância do entretenimento na vida deles, das artes", diz. Ele mesmo conta que, quando quer "relaxar e ser feliz", escuta música. "É o que eu mais consumo na minha vida, para tudo. Eu vou escrever, coloco música, vou arrumar a casa, coloco música". MPB é o seu gênero preferido. "Tem uma música que estou escutando todos os dias pela manhã, que é a 'Marcha da Quarta-Feira de Cinzas', música do Carlinhos Lyra, em gravação do Toquinho com o Vinicius de Moraes. É uma canção bonita, que fala sobre esperança", diz ele, cantarolando um trecho da canção: "E no entanto, é preciso cantar".
QUADRO NO FANTÁSTICO
Desde o ano passado, o Fantástico já tinha sinalizado para Vieira uma vontade de que ele tivesse algum tipo de participação dentro do programa. O que era uma ideia se concretizou agora com o Como Lidar?, quadro em que o humorista mostra de forma bem-humorada os dramas da quarentena.
A estreia no último dia 7 contou com as participações do médico Drauzio Varella, também colunista da Folha, e de Cauã Reymond. Neste domingo (14), Vieira falou sobre o tédio do confinamento e, para isso, pegou dicas com as três finalistas do Big Brother Brasil 20, Manu Gavassi, Rafa Kalimann e Thelma Assis, e do navegador Amyr Klink.
Nos próximos episódios, o comediante afirma que os temas serão mais existencialistas, como autoconhecimento e paz de espírito. "


