São Paulo, 16 (AE) - O jornalista Paulo Markun lança no dia 3, no Salão Negro do Congresso Nacional, em Brasília, uma biografia de Anita Garibaldi. "Anita Garibaldi - Uma Heroína Brasileira" é o resultado de um ano de pesquisas e viagens pelos lugares onde a brasileira nasceu e lutou até sua morte, em Ravena, na Itália, em 1849. O livro será lançado pela Editora Senac, terá 375 páginas, cerca de 400 imagens e deve custar R$ 35. O prefácio é do presidente Fernando Henrique Cardoso. No dia seguinte ao lançamento da biografia, as TVs Cultura e Senac exibem um documentário sobre Anita, que o jornalista está realizando paralelamente ao livro.
Há um ano, ao decidir escrever a biografia de Anita, Markun ainda tinha dúvidas sobre quanto se sabia a respeito da mulher que lutara ao lado de Giuseppe Garibaldi na Revolução Farroupilha, no Brasil; na defesa de Montevidéu, no Uruguai, e na unificação italiana. Breve consulta numa conceituada enciclopédia brasileira deu-lhe a certeza de que a história de Anita estava subdimensionada. O exemplo é de Markun: "Havia 15 linhas sobre Anita e 16 linhas sobre um certo Gajhá Mada, citado como herói nacional na Indonésia no século 14", diz, quase indignado.
O livro vai contar a história de Anita numa cronologia a partir de seu nascimento, em 1821, em Santa Catarina. Ressalta-se que somente há dois meses, no dia 11 de maio, portanto 150 anos depois de sua morte, Anita se tornou cidadã brasileira. Autorizado pela Justiça, um cartório de registro civil de Laguna concedeu o registro de nascimento tardio, a certidão de nascimento de Anita. Pesquisa - Markun começou sua pesquisa em Florianópolis, cidade onde mora há um ano e não encontrou mais do que um livro infanto-juvenil que nada acrescentava à história de que ela partira de sua cidade aos 18 anos, seguindo o popular herói da unificação italiana Giuseppe Garibaldi. Também pouco havia no Museu Anita Garibaldi e na casa em que nasceu, em Laguna.
"Anita Garibaldi - Um Heroína Brasileira" deve trazer reproduções de mapas, bicos-de-pena, fotos de locais onde Anita lutou no Brasil, no Uruguai e na Itália. Boa parte da pesquisa de Markun concentrou-se na Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos. Ali se encontra o maior acervo garibaldino, com cerca de 2.500 títulos doados por um ítalo-americano chamado Antoni Campanella e jamais pesquisado.
Markun passou dez dias lendo edições em inglês, italiano
castelhano e até folheando livros em polonês e russo. "Alguns daqueles livros foram fundamentais para recuperar a história de Anita", diz o jornalista. No livro "A Verdade sobre a Morte de Anita Garibaldi", do italiano Umberto Beseghi, publicado em 1932, Markun encontrou informações documentadas sobre a autópsia do corpo da brasileira e informações detalhadas sobre o processo de sua morte. O corpo de Anita foi encontrado numa cova rasa, em um areal em Ravena.
No Brasil, as informações mais preciosas sobre a corajosa companheira de Garibaldi estão em Santa Catarina, numa loja desocupada de propriedade de um arquiteto de 83 anos, que nasceu na Suíça, chegou ao País aos 14 anos e se naturalizou brasileiro. Wolfgang Ludwig Rau é um dos maiores conhecedores de Anita do Brasil. Há 40 anos, Rau divide seu tempo entre projetar prédios e garimpar informações sobre Anita. "Achei que seria um arquiteto famoso, mas sou conhecido mundialmente é por causa da Anita", diz. Por seu trabalho prestado ao resgate da memória de Anita, Rau foi condecorado como Cavalheiro da República Italiana e se tornou cidadão honorário de Santa Catarina. Rau é dono de pouco mais de mil livros sobre Anita, além de medalhas, armas, selos e 15 quadros da libertária. Ele se orgulha de dizer que refez todos os caminhos pelos quais Anita passou nos dez anos em que acompanhou Giuseppe. "Ela antecipou os direitos que hoje as mulheres buscam diante dos homens", afirma. "Sou apaixonado por ela".

mockup