Paulo Coelho lança um novo livro em agosto
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segunda-feira, 23 de março de 1998
Luiz Antônio Ryff Agência Folha 
ReproduçãoPaulo Coelho: escritor já finalizou novo livro Paulo Coelho lança em agosto seu próximo livro, Verônica Decide Morrer, que trata da loucura, ou, como prefere o escritor, sobre o limite entre a realidade e a loucura. A obra se passa em um asilo onde as pessoas se confrontam com o conforto que a loucura pode oferecer, por um lado, e com o desafio que ela representa, de outro, disse o escritor, falando pela primeira vez sobre seu novo projeto.
Coelho pôs o ponto final no livro pouco antes de ir a Paris para o salão do Livro. E, até o momento, apenas dez pessoas sabiam da obra. Verônica Decide Morrer é ambientado na Eslovênia (leste europeu). O país foi escolhido como um símbolo da construção e da desconstrução. A Eslovênia já foi parte do Império Austro-Húngaro, da Iugoslávia, da Áustria, mas sempre manteve sua identidade.
A escolha de uma jovem de 24 anos como protagonista da história é explicada por Coelho: É a idade em que você sente uma impotência total, acha a vida repetitiva e pensa que comprimidos podem resolver tudo. Apesar de se passar na Eslovênia e ter uma jovem como protagonista, Coelho parodia Flaubert e admite que a personagem Verônica é sua Madame Bovary. Verônica sou eu, diz ele, que confessa ter estado muito próximo da experiência da loucura, não apenas quando se envolveu com drogas. Mas não quero me aprofundar mais nisso agora, se desculpa o escritor, que afirma ter passado da linha da loucura quando tinha uns 20 anos de idade.
Mesmo assim, ele identifica dois tipos de loucura, uma destrutiva e outra construtiva. No livro, ele mostra que é possível e saudável conviver com a própria loucura. Coelho diz que o ato de escrever tem uma função de análise, ou, como ele prefere, de autodescoberta. Eu sou meu primeiro leitor. E estou absolutamente só nesse momento. Tentei entender minha própria loucura, explica.
O escritor afirma que não se preocupa com a possibilidade de influenciar seus leitores em questões delicadas. Se me sentisse como um guia ou guru eu teria essa preocupação. Segundo Paulo Coelho, sua relação com os leitores não vai além da divisão de experiências. Ele acredita que seus leitores apenas não se sentem sozinhos quando lêem seus livros. O autor repudia as críticas feitas à sua obra, considerada por alguns como literatura de conforto. É uma literatura de novos horizontes, não de conforto. É uma literatura de coragem, pois aceita a espiritualidade.


