Paulo Coelho, 53, começa a preparar seu caminho rumo à imortalidade. O escritor tem se aproximado dos membros da ABL (Academia Brasileira de Letras) e traçado o que, na avaliação de alguns acadêmicos, é o caminho típico dos futuros candidatos.
O ‘‘mago’’ vem participando de vários eventos e atividades ligadas, de alguma maneira, à instituição. Escolheu os seus salões para o lançamento de seu mais novo romance, ‘‘O Demônio e a Srta. Prym’’ (Editora Objetiva), no próximo dia 6.
O romance, cujo tema central é o duelo entre o bem e o mal, já tem seu primeiro capítulo disponível para leitura na página oficial do autor na Internet (www.paulocoelho.com.br).
Os sinais da aproximação entre o autor e a academia são bastante claros. Coelho esteve presente semana passada, na sede da ABL, à inauguração da exposição ‘‘O Poeta e o Defensor da Liberdade’’, em homenagem ao acadêmico, senador e ex-presidente José Sarney.
O escritor fez sucesso entre os imortais (como são conhecidos os membros da ABL). Conhecia todos pelo nome e distribuiu abraços e elogios entre eles. Pediu a Sarney um autógrafo em um exemplar de ‘‘Saraminda’’, mais novo romance do senador.
Outro gesto visto por pessoas ligadas à academia como um indício bastante forte de seu trajeto rumo à instituição foi sua eleição, este ano, para o Pen Club do Brasil, com o apoio de seu presidente, Marcos Almir Madeira – membro da ABL.
Para saudá-lo em sua posse no Pen Club (em data ainda não marcada), Paulo Coelho escolheu o escritor Josué Montello – outro membro da ABL. Montello e Madeira são conhecidos e dedicados cabos eleitorais em campanhas acadêmicas. Com os dois a seu lado, avalia uma pessoa próxima aos acadêmicos, Coelho daria um grande passo rumo à imortalidade.
O interesse é mútuo. Coelho começou a ‘‘encantar’’ os acadêmicos ao fazer um discurso em homenagem a Jorge Amado, durante o Salão do Livro de Paris, em 1998 – ano em que o Brasil foi o país homenageado.
Na avaliação de um imortal ouvido pela reportagem, hoje a aproximação entre a ABL e Paulo Coelho tem tons de ‘‘um flerte que caminha célere para se transformar em um namoro quase promíscuo’’.
Não é à toa que os acadêmicos aprovaram sem ressalvas o pedido de Paulo Coelho para lançar ‘‘O Demônio e a Srta. Prym’’ na instituição, mudando até a rotina da casa – sexta-feira, dia escolhido pelo ‘‘mago’’, é um dia de poucas atividades.
O projeto de Paulo Coelho de se candidatar à academia não se concretizará imediatamente. A intenção do escritor é suceder um outro escritor.
Atualmente, a instituição tem duas cadeiras vagas – a do jornalista Barbosa Lima Sobrinho e a do crítico literário Afrânio Coutinho.
Para a sucessão de Barbosa Lima Sobrinho, é dada como certa a eleição do jurista Raymundo Faoro. Para a de Coutinho, a do filólogo Evanildo Bechara.

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