Às margens de Copacabana Paulo Coelho sentou e se confessou. Depois de fazer livros virarem ouro, o autor dos best sellers ‘‘O Alquimista’’ e ‘‘Diário de Um Mago’’ virou livro na Espanha.
‘‘Paulo Coelho: As Confissões do Peregrino’’, recém-lançado no país onde ambienta a maior parte de suas histórias, chega ao Brasil este mês,
durante a Bienal do Livro no Rio de Janeiro.
Foi lá, em seu apartamento com vista para o mar, que ele contou sua vida a Juan Arias, correspondente do jornal ‘‘El Pais’’ no Rio. Arias havia recebido da editora Planeta a incumbência de entrevistá-lo na mesma linha do que havia feito com o escritor português, agora Nobel de Literatura, José Saramago e com o filósofo espanhol Fernando Savater. Se não diz tudo, Coelho conta muito a seu confessor. Fala de suas internações no manicômio quando era adolescente, de suas experiências com drogas e homossexualismo, de sua aproximação com a magia negra. Não esconde do jornalista nem mesmo seus momentos de fraqueza, como quando deixou de ajudar uma amiga que o havia apoiado no passado ou quando não respondeu ao chamado de sua mulher nos porões do regime militar, com medo da tortura. ‘‘Eu me baseio na frase de Jesus Cristo: a verdade te liberta’’, disse Paulo Coelho, explicando por que não teme perder leitores com suas inconfidências. ‘‘A curto prazo pode causar algum dano, mas a longo prazo isso conta a seu favor.’’
Na verdade, parece não ter muito a perder: o livro sai no momento em que é apontado pela revista francesa ‘‘Lire’’, em um levantamento feito em 12 países, como o segundo autor que mais vende livros no mundo. Ele só fica atrás do norte-americano John Grishman, autor de, entre outros, ‘‘O Cliente’’. Outros best sellers, como Danielle Steel, estão bem abaixo do brasileiro - ela ocupa o sexto lugar na lista, e Jostein Gaarder, de ‘‘O Mundo de Sofia’’, aparece em décimo.
O próprio Coelho reconhece que já não precisa mais promover seus livros, o que faz, diz, porque gosta. ‘‘Eu gosto de aparecer para meu público,
mostrar o homem que há por trás dos livros’’, afirma. É o que faz no livro de Arias. Além de contar sua vida, dá palpite sobre tudo: política, economia e até sobre os Sem-Terra, cujo líder, João Pedro Stedile, conheceu em um jantar em Brasília. Diz: ‘‘Me pareceu uma pessoa com a cabeça bem-posta, mas não creio que esteja utilizando seu gigantesco poder de uma forma política de todo adequada’’.
Sobre os reveses da economia internacional: ‘‘Tudo isso da globalização dos mercados, das bolsas etc, é o mais mágico que existe. Isso sim que é magia’’.
Também ataca os chefes das seitas e religiões, embora muitas vezes tenha sido tachado de ‘‘guru’’, posição que rejeita como a de ‘‘esotérico’’ para definir seus livros, que gostaria de ver classificados ‘‘uns em literatura, outros em filosofia’’. À Folha e no livro Coelho mostrou seu desprezo à crítica e à idéia de que descobriu uma ‘‘fórmula’’ para vender livros. ‘‘Isso é uma ilusão boboca. Se alguém soubesse fazer isso, toda editora teria seu Paulo Coelho. Estou há 13 anos levando pau da crítica e vendendo.’’

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