PAULO BUENNOS DISCUTE A VIDA
Elisa Marilia Carneiro
O instável território do desejo, seus percalços e empecilhos são o tema da instalação Absent Presence ou O Aprendizado do Desejo diante da Morte Anunciada, do artista plástico Paulo Buennos. A exposição com cinco temas diferentes, mas não estanques, está na Sala Theodoro de Bona, no Museu de Arte Contemporânea, até o dia 21 de julho. Entre elas, muitas portas abertas. Mas cada um entra pela porta que preferir.
Além da instalação, Paulo mostra a série Manual de Sobrevivência e os trabalhos Nós Dois, O Mesmo e o Outro e Eu Morro Um Pouco Toda Vez Que te Digo Adeus. A globalização, a vida virtual, descartável e a falta de afetividade ficam evanescentes. Mas temos de dar conta dessas ligações e do nossos desejos, afirma.
Muitas vezes a gente não sabe onde colocar esse impulso, que nos leva em direção ao outro. Esbarramos nas dificuldades e nos medos. Na instalação, Paulo usa toalhas vermelhas com frase em inglês (o trabalho começou a ser elaborado nos Estados Unidos) bordadas à mão. Em cada uma, uma fotografia de parte de um corpo nu masculino, emoldurada de dourado.
São coisas muito próximas. A toalha. esfregamos no corpo inteiro. O vermelho vai do religioso ao profano, também é a cor da espiritualidade, do sangue, onde o vírus HIV se instala. O desejo entra em qualquer lugar. É forte e intenso. Aquilo que o racional não dá conta,
Sem interesse biográfico, a exposição reflete a experiência de todos nós. Pretende um encontro com o que está fora da gente. As relações sociais estão como malha esgarçada e cada vez mais instáveis. No entanto, as pessoas só aprendem a lidar com isso quando se expõem.
Dois travesseiros brancos amarrados com duas rosas vermelhas, colocado sobre uma cadeira, simboliza o desespero da conexão, o que a gente queria que ficasse, antes de ser institucionalizado. É uma problematização.
Dois pares de sapatos idênticos, usados, um vermelho outro preto, um em frente ao outro, em cima de uma mesa de espelhos. Uma bacia de aço inox com água em cima de uma banqueta alta, completam a instalação.
Em Manual de Sobrevivência, Paulo enfilera três mesas, cada uma com um travesseiro vermelho, uma foto do céu azul e com nuvens. O primeiro está bordado uma carta amorosa ainda a ser inscrita. O seguinte vem com uma bula de um dos remédios do coquetel de tratamento da Aids, com jogos de contar. Um fusca dourado fica em cima do terceiro, com a frase de Fernando Pessoa Navegar é Preciso.
Ainda neste série, há uma prateleira de vidro com, desta vez, uma almofada branca, um pires com uma bolinha vermelha presa num cálice de ponta cabeça. Do outro lado, uma mala com um travesseiro e uma maçã. São objetos que lidam com a intimidade, e com o ir para outro lugar. Este é o desequilíbrio do mundo contemporâneo.
Nós Dois mostra uma mala sobre um lençol branco que sobe pela parede. Um fio de lã vermelha cai em dois travesseiros brancos, sobre uma mala de viagem. O Mesmo e o Outro são três desenhos sobre tela, que remetem à maçã. Por último, ou em primeiro lugar, estão duas cadeiras com mapas das américas em cada uma. Um vidro unindo-as e duas maçãs.
Paulo é artista plástico formado pela Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho. Estudou entre 1992 e 1997 na Universidade de Buffalo, no Estado de Nova York e é doutorando da PUC-SP. Em Curitiba, já este inúmeras vezes, mas esta é a sua primeira individual.
Instalação e Objetos, de Paulo Buennos. Na Sala Theodoro de Bona, do Museu de Arte Contemporânea (Rua Emiliano Perneta, 29), até o dia 21 de julho.O artista plástico Paulo Buennos expõe a vida, o desejo e a morte no Mu seu da Arte Contemporânea
Kraw PenasBuennos junto a algumas de suas obras. As instalações refletem sobre o encontro e desencontro das pessoas e a carga afetiva envolvida em cada situação





